Embora seja uma doença muito conhecida na oftalmologia, o ceratocone ainda é um problema pouco conhecido pela maioria das pessoas.
Exatamente por isso, é essencial que os profissionais de ótica tenham um conhecimento aguçado sobre o assunto, para que possam orientar seus clientes a buscar ajuda no momento certo.
No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil brasileiros por ano desenvolvam ceratocone. No entanto, estudos mais recentes indicam que a prevalência pode ser ainda maior, chegando a até 3% ou mais da população, dependendo do método diagnóstico.
A doença é uma das principais causas de transplante de córnea no país. Em alguns levantamentos, ela chega a representar até 70% dos casos.
Continue lendo este artigo e conheça as principais causas e sintomas.
Entenda o que é ceratocone
Podemos afirmar que o ceratocone é uma doença ocular progressiva rara que afina e deforma a córnea, fazendo com que ela assuma um formato de cone. Por não apresentar sintomas mais intensos no início, na maioria das vezes o ceratocone é diagnosticado tardiamente, o que pode provocar complicações mais sérias.
Entre essas complicações, podemos destacar o afinamento acentuado da córnea, que aumenta o risco estrutural e limita a realização de tratamentos mais simples.
A ausência de diagnóstico precoce também pode levar à hidropsia corneana, causando dor, inchaço e queda súbita da visão.
Descubra principais fatores de risco e origem do ceratocone
Curiosamente, adolescentes e jovens de até 25 anos são mais propensos a desenvolver a doença. Um estudo publicado pela National Library of Medicine mostrou que o ceratocone geralmente surge entre os 10 e 25 anos.
Entender quais são os principais fatores de risco e a origem da doença pode ajudar os pacientes a identificá-la ainda em seu estágio inicial, ampliando assim as chances de um tratamento eficaz. Confira a seguir:
Fatores genéticos
Pesquisas científicas mostram que fatores genéticos têm um papel altamente relevante no desenvolvimento do ceratocone. Embora a condição não seja puramente hereditária, estudos indicam que entre 10% e 20% dos pacientes têm algum familiar com a mesma doença.
Parentes de primeiro grau, como pais e irmãos, apresentam um risco significativamente maior de desenvolver ceratocone. Ainda assim, é importante lembrar que a genética não atua de forma isolada: mesmo quando há predisposição, o surgimento da doença geralmente depende de outros fatores associados, como alergias oculares, o hábito frequente de coçar os olhos e processos inflamatórios crônicos.
Hábito de coçar os olhos
Você tem o costume de coçar os olhos com frequência? Se a resposta for sim, é importante ficar atento, pois especialistas apontam que esse hábito pode contribuir para o desenvolvimento do ceratocone.
Exatamente por isso, pacientes alérgicos que sentem muita coceira nos olhos apresentam uma probabilidade maior de desenvolver a doença. O problema não está em coçar uma vez ou outra, mas sim no ato repetitivo e com força sobre a córnea, que é uma estrutura naturalmente delicada.
Quando você pressiona e esfrega os olhos, ocorre uma compressão direta da córnea. Esse movimento pode provocar o deslizamento das camadas internas, gerando microdeformações mecânicas no tecido ao longo do tempo.
Alterações no colágeno da córnea
A córnea é formada principalmente por fibras de colágeno organizadas de maneira muito precisa. É justamente essa organização que garante que ela seja transparente, resistente e mantenha seu formato arredondado.
Quando ocorrem alterações nesse colágeno, essa estrutura deixa de ser estável. As fibras se tornam mais frágeis, a ligação entre elas diminui e, com isso, há perda de eficiência estrutural. Como consequência, a córnea passa por um afinamento progressivo.
Fatores ambientais
É importante lembrar que fatores ambientais não causam o ceratocone de forma isolada, mas atuam como gatilhos em pessoas que já têm predisposição. A exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV), ao longo do tempo, é um dos fatores ambientais que pode contribuir para o estresse oxidativo nas células da córnea, favorecendo o enfraquecimento do tecido.
Além disso, o uso prolongado e inadequado de lentes de contato também pode contribuir para o desenvolvimento da doença.
Saiba quais são os principais sintomas de ceratocone

Entender exatamente quais são os sintomas é essencial para buscar ajuda profissional precocemente, evitando assim o agravamento da doença. Confira a seguir quais são esses sinais.
Visão embaçada e distorcida
Se uma pessoa tem dificuldade para enxergar com nitidez, mesmo utilizando óculos, isso pode ser um indicativo de ceratocone. Isso porque a visão embaçada e distorcida é um dos sintomas mais comuns da doença.
Isso acontece porque a córnea, que deveria ter um formato uniforme, passa a se deformar progressivamente, comprometendo a forma como a luz entra no olho.
Além disso, é comum que o paciente se queixe de enxergar imagens “esticadas”, duplicadas ou com sombras, gerando uma percepção visual semelhante a um “fantasma”.
Aumento frequente do grau
O ceratocone não permite que o grau se estabilize, justamente porque a córnea se torna progressivamente mais irregular, provocando mudanças constantes na refração do olho.
Na prática, o paciente muitas vezes relata que “acabou de trocar o óculos e já não enxerga bem de novo”. Esse comportamento é um alerta importante e deve ser investigado por um oftalmologista, pois pode indicar a progressão da doença.
Sensibilidade à luz (fotofobia)
Com a deformação da córnea, a luz passa a entrar no olho de forma irregular e se espalha mais do que o normal. Isso aumenta o brilho percebido e dificulta a adaptação a ambientes claros.
Se você sente um incômodo constante ao olhar para luzes fortes ou ambientes muito iluminados, ou até mesmo a necessidade de semicerrar os olhos diante de uma luz intensa, é importante ficar atento e buscar ajuda médica.
Isso porque a sensibilidade à luz, quando isolada, não é um indicativo exclusivo de ceratocone. Ela também pode estar relacionada a outros problemas, como conjuntivite, alergias oculares ou até inflamações mais profundas, como uveítes.
Visão dupla (diplopia monocular)
A diplopia monocular ocorre quando a pessoa vê duas ou mais imagens mesmo com apenas um olho aberto. Um artigo publicado na base PubMed mostrou que a visão dupla está frequentemente associada a irregularidades na superfície da córnea, incluindo o ceratocone.
Quando se trata do ceratocone, isso ocorre porque a córnea deixa de ser uniforme e passa a apresentar áreas com diferentes curvaturas, fazendo com que a luz não seja focada em um único ponto, o que cria múltiplas imagens sobrepostas.
Bibliografia
- National Library of Medicine. Keratoconus: overview, diagnosis and management. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/
- American Academy of Ophthalmology. What Is Keratoconus? Disponível em: https://www.aao.org/eye-health
- World Health Organization. Blindness and vision impairment. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/blindness-and-vision-loss
- Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Doenças da córnea: ceratocone e tratamentos. Disponível em: https://www.cbo.net.br/
- SciELO. Estudos epidemiológicos sobre ceratocone no Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/
- National Eye Institute. Keratoconus facts and treatment options. Disponível em: https://www.nei.nih.gov/
- Mayo Clinic. Keratoconus – symptoms and causes. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/
- Review of Ophthalmology. Risk factors and progression of keratoconus. Disponível em: https://www.reviewofophthalmology.com/
- PubMed Central. Genetic and environmental factors in keratoconus. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/
- Optometry and Vision Science. Corneal biomechanics and keratoconus progression.

Engenheiro de software com mais de vinte anos de carreira e uma sólida experiência na indústria óptica, graças ao negócio da família. Movido pela paixão de desenvolver soluções de software impactantes, orgulho-me de ser um solucionador de problemas dedicado, buscando transformar desafios em oportunidades de inovação.
