Resposta rápida: a altura de segmento, também chamada de altura de montagem nas lentes multifocais, é a distância vertical em milímetros do bordo inferior interno da armação até o centro da pupila do cliente. Ela indica ao laboratório onde posicionar a cruz de montagem na lente, alinhando as zonas de longe, intermediária e perto aos olhos do usuário. As alturas típicas ficam entre 14 mm e 25 mm, e um erro de apenas 2 mm já degrada de forma perceptível o campo de visão através de uma lente multifocal.
Nota sobre terminologia: o termo altura de segmento vem dos pedidos de lentes bifocais, onde marcava o topo do segmento de perto. Nas lentes multifocais (progressivas) modernas, o termo tecnicamente correto é altura de montagem ou altura da cruz de montagem. Como a maioria dos sistemas de pedido dos laboratórios e dos materiais de treinamento ainda usa “altura de segmento” ou “AS”, os dois termos aparecem ao longo deste guia.
Altura de Segmento e Altura de Montagem: por que a terminologia importa no pedido
As lentes multifocais não têm um segmento de perto visível. Elas usam um gradiente contínuo de potência, do longe no topo ao perto na parte inferior. Ou seja, falar em “segmento” é, a rigor, impreciso para uma progressiva.
O risco prático: se você anota “AS” no pedido sem definir o ponto de referência, o laboratório pode interpretar de formas diferentes conforme o software. Alguns medem a partir do bordo inferior da armação, outros do ponto mais baixo aproveitável da lente semiacabada. Uma divergência de 1 a 2 mm desloca as três zonas ópticas e pode causar não adaptação.
Boas práticas no pedido:
- Identifique o campo como Altura de Montagem (mm) no formulário, com a observação: “equivalente à altura de segmento no seu sistema”
- Confirme com o laboratório se a medida parte do bordo inferior da armação ou do bordo inferior da lente não cortada
- Confirme se o ponto de referência superior é o centro da pupila ou a cruz de montagem
O que a altura de segmento controla na lente multifocal
A altura de montagem determina onde caem três zonas críticas na lente acabada:
| Zona | Posição em relação à cruz de montagem |
|---|---|
| Zona de longe | Acima da cruz de montagem |
| Intermediária / corredor | Abaixo da cruz de montagem, cerca de 12 a 16 mm de progressão |
| Zona de perto | Na parte inferior, acessada quando o usuário olha para baixo |
A cruz de montagem é a marca de referência gravada na lente que o laboratório alinha à altura da pupila informada por você. Se a cruz fica baixa demais, o olhar em repouso cai na zona intermediária e a visão de longe fica embaçada. Se fica alta demais, a zona de perto é empurrada para fora da armação e a visão de perto fica inacessível.
Comprimento do corredor e sua relação com a altura de montagem
O comprimento do corredor é a distância vertical da cruz de montagem até o ponto em que a adição total de perto é alcançada. Escolher o corredor certo depende diretamente da altura de montagem medida.
Opções padrão de corredor:
| Tipo de corredor | Comprimento | Melhor uso |
|---|---|---|
| Curto | 8 a 11 mm | Armações pequenas, com medida B reduzida |
| Padrão | 12 a 16 mm | Maioria das armações adultas, boa adaptação |
| Estendido | 17 a 19 mm | Pacientes sensíveis à distorção periférica, armações altas |
Uma regra útil de planejamento: a zona de perto precisa de pelo menos 5 mm de altura aproveitável dentro da armação. Então, se a altura de montagem é 18 mm, o corredor máximo prático é 13 mm (18 mm menos os 5 mm mínimos da zona de perto). Escolher um corredor longo numa armação pequena empurra a zona de perto para baixo do aro, e o usuário não consegue acessá-la.
Medida B mínima para lentes progressivas convencionais: 28 mm. Armações mais rasas que isso restringem as opções de corredor e aumentam o risco de não adaptação. Para tecnologias que flexibilizam o corredor, veja as lentes freeform (digitais).
Como medir a altura de segmento: passo a passo
A medição da altura de montagem leva menos de dois minutos quando a técnica está correta. A fonte de erro mais comum não é o instrumento, e sim a postura do paciente e a altura dos olhos do profissional.
Medição manual (régua e caneta)
- Ajuste a armação primeiro. A armação precisa estar na posição final de uso antes de qualquer medida: inclinação pantoscópica correta (cerca de 7 a 10 graus), distância ao vértice mínima e ângulo de curvatura ajustado à largura do rosto. Medir numa armação desajustada produz uma altura de montagem incorreta.
- Posicione profissional e cliente na mesma altura dos olhos. Fique exatamente de frente para o cliente, com seus olhos na mesma altura dos dele. Mesmo uma pequena diferença de altura gera erro de paralaxe na marcação.
- Peça para o cliente olhar para o centro do seu nariz ou um alvo na altura dos olhos. O olhar primário, reto para frente e sem inclinar para cima ou para baixo, é a posição correta para esta medida.
- Marque um ponto no centro da pupila sobre a lente de demonstração. Use uma caneta de ponta fina ou marcador de pupila. O método do reflexo corneano (usar uma lanterninha e localizar o reflexo no centro da pupila) reduz a subjetividade.
- Meça do bordo inferior interno da armação até o centro da sua marca. Use uma régua milimetrada na vertical, encostada na lente. Leia com precisão de 0,5 mm. Não meça pelo aro externo, use o bordo interno que toca a lente.
- Verifique a simetria. A não ser que o cliente tenha alturas oculares anatomicamente diferentes, as duas medidas não devem divergir mais que 1 mm. Se divergirem, remarque antes de registrar.
Ajuste de postura: para clientes com cifose acentuada (postura curvada), aumente a altura de montagem em 1 a 2 mm. Para quem tende a inclinar a cabeça para trás, reduza 1 a 2 mm. Meça o cliente na postura natural e confortável, não numa posição artificialmente ereta.
Medição digital (ferramentas baseadas em foto)
Sistemas de medição por foto, como o Optogrid, capturam a geometria facial do cliente a partir de uma foto calibrada e calculam a altura de montagem automaticamente. O sistema detecta as coordenadas do centro da pupila e a posição do bordo inferior da armação, entregando a medida sem marcação manual.
Comparativo de precisão:
| Método | Precisão típica |
|---|---|
| Régua manual com marcação | +/- 2 mm |
| Pupilômetro (digital profissional) | +/- 0,5 a 1 mm |
| Medição digital por foto | +/- 0,5 mm |
A régua manual introduz variação por marcação, paralaxe e ângulo da régua. As ferramentas digitais por foto eliminam o fator paralaxe e automatizam a medida a partir de uma única imagem, o que é útil para atendimento remoto e para óticas de alto volume.
Para o fluxo completo de medição, veja o guia como medir DP, DNP e altura com o Optogrid e o comparativo entre métodos de medição de DNP.
Faixas típicas de altura de montagem por medida B da armação
A medida B é a altura vertical do formato da lente. Ela define o limite máximo de altura de montagem fisicamente possível.
| Medida B da armação | Faixa típica de altura de montagem | Observações |
|---|---|---|
| 28 a 30 mm | 14 a 18 mm | Corredores curtos, zona de perto apertada |
| 31 a 34 mm | 16 a 20 mm | Corredor padrão possível, boa flexibilidade |
| 35 a 38 mm | 18 a 22 mm | Seleção completa de corredor disponível |
| 39 mm ou mais | 20 a 25 mm | Corredores estendidos viáveis, indicado para adições altas |
Essas faixas pressupõem que a cruz de montagem fique perto do centro da medida B, que é a premissa de projeto da maioria das lentes semiacabadas para progressivas. A anatomia individual (pupila alta ou baixa em relação à armação) pode deslocar a medida real para qualquer um dos extremos.
Erros comuns de altura de montagem e como evitá-los
Medir antes de ajustar a armação
A armação precisa estar totalmente ajustada ao rosto do cliente antes da medição. Uma armação que escorrega pelo nariz depois da medida vai ficar 2 a 4 mm mais baixa no uso real, deslocando todo o mapa óptico para baixo.
Altura incorreta dos olhos do profissional
Se você está sentado mais alto que o cliente, vai marcar a pupila baixa demais. Se mais baixo, vai marcar alta demais. Ajuste sempre o banco ou a cadeira para que seus olhos fiquem exatamente no nível dos olhos do cliente.
Ignorar a profundidade mínima da armação
Adaptar um cliente de adição alta (2,50 D ou mais) numa armação de medida B de 26 mm não deixa espaço suficiente para corredor e zona de perto. Confira a medida B da armação contra a altura de montagem mínima especificada pelo fabricante da lente antes de o cliente escolher a armação.
Não considerar a postura natural
Medir com o cliente sentado de forma artificialmente ereta superestima a altura de montagem. Meça na postura habitual e relaxada do cliente.
Ignorar alturas oculares assimétricas
Clientes com assimetria facial podem precisar de alturas de montagem diferentes para cada lente. Registre as medidas binoculares separadamente, sem tirar a média.
Erros de altura e de DNP são as causas mais frequentes de refação em lentes progressivas, o item que mais corrói a margem da ótica.
Altura de segmento e DNP: duas medidas, um único alinhamento
A altura de montagem (AS) e a distância naso-pupilar (DNP) definem juntas o centro óptico da lente em dois planos:
| Medida | Plano | O que controla |
|---|---|---|
| Altura de montagem (AS) | Vertical | Onde fica o gradiente de longe para perto |
| Distância naso-pupilar (DNP) | Horizontal | Centralização esquerda e direita de cada zona óptica |
As duas medidas precisam estar corretas para a lente multifocal funcionar. Um erro de centralização de 2 a 3 mm reduz de forma significativa o campo binocular aproveitável, e o efeito é mais grave quanto maior a adição. Por isso a DNP deve ser monocular, medida olho a olho, e nunca obtida dividindo a DP por dois.

Para a explicação completa da medição horizontal, veja o guia de distância naso-pupilar (DNP) e o de distância pupilar (DP).
Escolhendo armações compatíveis com lentes multifocais
Nem toda armação é compatível com lentes multifocais. Antes de o cliente escolher, verifique:
- Medida B de no mínimo 28 mm, para que o desenho progressivo caiba inteiro no formato da lente
- Curvatura discreta, já que armações muito curvas (estilo esportivo) exigem compensação freeform e a medição da distância ao vértice e do ângulo de curvatura para o laboratório
- Encaixe estável, porque uma armação que se move no rosto desloca as zonas ópticas de forma imprevisível; plaquetas ajustáveis ajudam a manter o encaixe constante
Para orientar a escolha conforme o formato do rosto e os tipos de óculos, veja também o guia de lentes corretivas.
Depois da entrega: adaptação às lentes multifocais
Mesmo medidas precisas podem exigir acompanhamento. Usuários de primeira viagem em multifocais costumam levar de 7 a 15 dias para se adaptar às zonas da lente. Nesse período:
- Oriente o cliente a não alternar entre os óculos monofocais antigos e os novos multifocais, porque isso prolonga a adaptação
- Se o cliente relatar visão de longe embaçada no olhar primário, verifique se a armação não escorregou (confira a altura de montagem na posição de uso)
- Se o cliente não encontra uma zona de perto nítida, confirme se a altura de montagem não foi medida alta demais
Falha de adaptação além de 15 dias pede reverificação da altura de montagem, da DNP e do ajuste da armação antes de refazer a lente.
Perguntas frequentes sobre altura de segmento em lentes multifocais
Qual é a altura de segmento típica para lentes multifocais?
As alturas de montagem para lentes multifocais ficam, em geral, entre 14 mm e 25 mm, conforme o tamanho da armação e a anatomia individual. A maioria dos adultos em armações padrão fica entre 17 mm e 22 mm. Armações com medida B abaixo de 28 mm costumam exigir corredores mais curtos e alturas menores.
Qual é a altura de montagem mínima para uma lente multifocal?
A altura mínima varia conforme o desenho da lente, mas a maioria das progressivas convencionais exige de 18 a 22 mm para montar corretamente. Abaixo do mínimo, a zona de perto pode cair fora da armação e o cliente fica sem visão de perto útil. Confira sempre a altura mínima especificada pelo fabricante daquela lente.
Quanto de zona de longe é preciso acima da cruz de montagem?
Deve haver pelo menos 10 mm de zona de visão de longe acima da cruz de montagem. Menos que isso pode não oferecer visão de longe suficiente e aumenta o risco de não adaptação.
Qual é a tolerância da altura da cruz de montagem segundo as normas?
No Brasil, as lentes para óculos montadas seguem a ABNT NBR ISO 21987, e as tolerâncias para lentes bifocais e progressivas constam da ABNT NBR 15090-2 e da série ABNT NBR ISO 8980. A tolerância de centralização vertical está vinculada ao desvio prismático permitido, então quanto maior a potência da lente, mais apertada fica a tolerância em milímetros. Como referência prática adotada por muitos laboratórios, a norma norte-americana ANSI Z80.1 define que a altura da cruz de montagem deve ficar dentro de +/- 1,0 mm do valor pedido, e que a diferença entre os dois olhos do par montado também não deve passar de 1,0 mm.
É possível medir a altura de segmento remotamente, sem a armação física?
Sistemas de medição digital por foto calculam a altura de montagem a partir de uma foto calibrada do cliente usando a armação escolhida. Essa abordagem funciona para atendimento remoto e óticas de alto volume. A precisão é comparável à da medição digital presencial (+/- 0,5 mm) quando a foto é tirada nas condições corretas.
O que acontece se a altura de montagem for medida baixa demais?
Se a cruz de montagem fica abaixo da pupila no olhar primário, a linha de visão em repouso cai no corredor intermediário em vez da zona de longe. Isso causa visão de longe embaçada e é uma das razões mais comuns de falha de adaptação em lentes multifocais.
Altura de segmento é a mesma coisa que altura do centro óptico?
Não. Numa lente multifocal não existe um centro óptico único, porque a potência muda de forma contínua. A altura de montagem se refere à cruz de montagem, que é o ponto de alinhamento do laboratório para a progressão de longe a perto. Em lentes monofocais, altura do centro óptico e altura de segmento são conceitos relacionados, porém distintos.
Referências e normas
- ABNT NBR ISO 21987 (Óptica oftálmica: lentes para óculos montadas)
- ABNT NBR ISO 8980-1 (Lentes para óculos acabadas e não cortadas: visão simples e multifocal)
- Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria (CBO-O)
Guias relacionados no Optogrid:
- Lentes multifocais: como funcionam, tipos e adaptação
- Adição na receita de multifocal: como entender e aplicar
- Taxa de refação em lentes progressivas: como reduzir

Engenheiro de software com mais de vinte anos de carreira e uma sólida experiência na indústria óptica, graças ao negócio da família. Movido pela paixão de desenvolver soluções de software impactantes, orgulho-me de ser um solucionador de problemas dedicado, buscando transformar desafios em oportunidades de inovação.
