Resposta rápida: para tirar a altura de montagem do multifocal, ajuste a armação no rosto, deixe seus olhos na altura dos olhos do cliente e marque o centro da pupila na lente de demonstração com o cliente em olhar primário. Meça na vertical, da marca até o ponto mais baixo do aro, olho a olho.
- Ajuste a armação no rosto antes de medir.
- Posicione seus olhos na altura dos olhos do cliente.
- Peça o olhar primário, reto para a frente.
- Marque o reflexo corneano (centro da pupila) na lente de demonstração.
- Meça na vertical até a parte mais baixa do aro.
- Confira a simetria entre os olhos e anote cada olho separadamente.
A altura de montagem (também chamada de altura de segmento nos pedidos) é essa distância vertical, em milímetros, do ponto mais baixo do aro até o centro da pupila. É ela que diz ao laboratório onde posicionar a cruz de montagem de uma lente multifocal. Como referência de tolerância, a referência rápida da ANSI Z80.1-2015, publicada pela Vision Council, exige que a altura da cruz de montagem de cada lente progressiva fique dentro de ± 1,0 mm do pedido.
Como tirar a altura de montagem do multifocal: passo a passo
A medição leva poucos minutos quando a técnica está correta. A fonte de erro mais comum não é o instrumento, e sim a postura do cliente e a altura dos olhos do profissional.
Medição manual (régua e caneta)
- Ajuste a armação primeiro. A armação precisa estar na posição final de uso antes de qualquer medida, com inclinação pantoscópica, distância vértice e curvatura ajustadas ao rosto. O guia de ajuste e montagem da Varilux pede o mesmo: ajustar a armação para conforto e precisão antes de tomar qualquer medida. Medir numa armação desajustada produz uma altura incorreta.
- Posicione profissional e cliente na mesma altura dos olhos. Fique exatamente de frente para o cliente, com seus olhos na mesma altura dos dele. Uma pequena diferença de altura gera erro de paralaxe na marcação.
- Peça para o cliente olhar para o centro do seu nariz ou para um alvo na altura dos olhos. O olhar primário, reto para a frente e sem inclinar a cabeça para cima ou para baixo, é a posição correta para esta medida.
- Marque o centro da pupila sobre a lente de demonstração. Use uma caneta de ponta fina ou um marcador de pupila. O método do reflexo corneano (usar uma lanterninha e localizar o reflexo no centro da pupila) reduz a subjetividade.
- Meça na vertical até a parte mais baixa do aro. Use uma régua milimetrada encostada na lente, perpendicular à linha horizontal. O ponto de chegada é o do aro que toca a lente, não o da borda externa da armação (veja o próximo subtítulo).
- Confira a simetria. Se as duas alturas divergirem, a menos que o cliente tenha assimetria facial real, remarque antes de registrar. A mesma ANSI Z80.1-2015 limita em 1,0 mm a diferença entre as alturas da cruz de montagem no par montado, então uma diferença maior que essa na sua medição merece nova conferência. Anote sempre cada olho separadamente.
Postura: meça o cliente na postura natural e confortável, não numa posição artificialmente ereta. Se a medida foi tomada na postura habitual, não é preciso somar nem subtrair correção.
Onde exatamente medir: o ponto mais baixo do aro
Meça até a linha horizontal que passa pelo ponto mais baixo do formato da lente, como no sistema boxing, e não em linha reta abaixo da pupila. Em armações aviador ou olho de gato, esse ponto mais baixo costuma ficar deslocado para o lado nasal ou temporal, e medir reto abaixo da pupila subestima a altura.
- Armações de acetato com aro fechado: o guia da Varilux orienta medir até o ponto mais baixo do bisel (a canaleta onde a lente se encaixa), não até a borda externa do aro.
- Armações de nylon e sem aro: não há aro inferior na lente. Meça até a borda inferior da lente de demonstração, com ela na posição em que a lente final ficará.
- Bifocais e trifocais: a referência é outra. A altura do segmento vai até a linha superior do segmento, que fica abaixo da pupila. A diferença está explicada na calculadora de altura de montagem, na seção “Altura de Montagem vs Altura do Segmento”.
Medição digital (ferramentas baseadas em foto)
Sistemas de medição por foto, como o Optogrid, calculam a altura de montagem a partir de uma foto do cliente. O sistema detecta o centro da pupila e a posição do bordo inferior da armação, entregando a medida sem marcação manual e sem a paralaxe do observador.
Comparativo entre métodos:
| Método | O que mede | Limite principal |
|---|---|---|
| Régua manual com marcação | Altura de montagem e DNP | Marcação, paralaxe e ângulo da régua |
| Pupilômetro | DNP (horizontal) | Não mede a altura de montagem; para ela é preciso marcar e usar régua ou um sistema digital de centração |
| Medição digital por foto | Altura de montagem e DNP | Depende da qualidade e do protocolo da captura |
A altura é a medida mais difícil de repetir. Um estudo na Clinical and Experimental Optometry comparou régua de armação, pupilômetro e dois centradores digitais em 21 voluntários e concluiu que a altura do ponto de montagem teve pior repetibilidade que as medidas horizontais em todos os dispositivos. Com a régua de armação, o coeficiente de variação ficou próximo de 5% (Sw = 0,46 mm) (Garcia-Espinilla et al., 2022). O estudo não avaliou o Optogrid. A lição prática vale para qualquer método: padronize o protocolo (armação ajustada, olhar primário, mesma altura de olhos) e confira a repetibilidade da sua rotina.
Para o fluxo completo de medição, veja o guia como medir DP, DNP e altura com o Optogrid e o comparativo entre métodos de medição de DNP.
Como anotar a altura no pedido ao laboratório
O termo altura de segmento vem dos pedidos de bifocais, onde marcava o topo do segmento de perto. Nas lentes multifocais (progressivas), o termo tecnicamente correto é altura de montagem ou altura da cruz de montagem, porque não existe segmento de perto visível: a potência muda de forma contínua, do longe no topo ao perto na parte inferior. Como muitos sistemas de pedido ainda usam “altura de segmento”, os dois termos aparecem neste guia.
O risco prático: se você anota apenas “altura” sem definir o ponto de referência, o laboratório pode interpretar de formas diferentes conforme o software. Alguns medem a partir do bordo inferior da armação, outros do ponto mais baixo aproveitável da lente semiacabada, e qualquer divergência desloca as três zonas ópticas.
Boas práticas no pedido:
- Identifique o campo como Altura de Montagem (mm) no formulário, com a observação: “equivalente à altura de segmento no seu sistema”
- Confirme com o laboratório se a medida parte do bordo inferior da armação ou do bordo inferior da lente não cortada
- Confirme se o ponto de referência superior é o centro da pupila ou a cruz de montagem
O que a altura de montagem controla na lente multifocal
A altura de montagem determina onde caem três zonas críticas na lente acabada:
| Zona | Posição em relação à cruz de montagem |
|---|---|
| Zona de longe | Acima da cruz de montagem |
| Intermediária / corredor | Abaixo da cruz de montagem, com comprimento que depende do desenho |
| Zona de perto | Na parte inferior, acessada quando o usuário olha para baixo |
A cruz de montagem é a marca de referência gravada na lente que o laboratório alinha à altura da pupila informada por você. Se a cruz fica baixa demais, o olhar em repouso cai na zona intermediária e a visão de longe fica embaçada. Se fica alta demais, a zona de perto é empurrada para fora da armação e a visão de perto fica inacessível.
Comprimento do corredor e sua relação com a altura de montagem
O comprimento do corredor é a distância vertical da cruz de montagem até o ponto em que a adição total de perto é alcançada. Escolher o corredor certo depende diretamente da altura de montagem medida. O guia de altura de montagem da ZEISS, publicado pela ABDO, mostra o efeito sobre a largura da zona de perto:
| Altura de montagem | Comprimento do corredor | Largura da zona de perto |
|---|---|---|
| 20 mm | 16 mm | 15 mm |
| 18 mm | 14 mm | 13 mm |
| 16 mm | 12 mm | 9 mm |
| 14 mm | 10 mm | 6 mm |
Nesses exemplos, o corredor é sempre 4 mm menor que a altura de montagem. Então, com altura de montagem de 18 mm, o corredor prático é de 14 mm, e a zona de perto tem cerca de 13 mm de largura. Escolher um corredor longo numa armação rasa empurra a zona de perto para baixo do aro, e o usuário não consegue acessá-la. Para tecnologias que flexibilizam o corredor, veja as lentes freeform (digitais).
Outra condição do mesmo guia: deve sobrar pelo menos 8 mm de lente acima da cruz de montagem até o aro superior, para garantir boa visão de longe.
Qual altura de montagem cabe em cada armação?
A medida B é a altura vertical do formato da lente. Ela define o teto da altura de montagem: com a regra de 8 mm acima da cruz, a altura de montagem não pode passar de B menos 8 mm. O piso vem do desenho da lente, que pode ser 13 a 14 mm em desenhos de corredor curto ou variável e 17 a 18 mm em corredores padrão (veja a calculadora de altura de montagem, com a tabela de mínimos por fabricante).
| Medida B da armação | Altura de montagem máxima (B − 8 mm) |
|---|---|
| 28 mm | 20 mm |
| 32 mm | 24 mm |
| 36 mm | 28 mm |
| 40 mm | 32 mm |
Esses são tetos de cálculo, não valores esperados. A altura real depende da posição da pupila em relação ao aro. Se ela cai abaixo do piso do desenho ou acima do teto da armação, a armação ou o desenho precisam mudar.
Quais são os erros mais comuns ao tirar a altura do multifocal?
Medir antes de ajustar a armação
A armação precisa estar totalmente ajustada ao rosto do cliente antes da medição. Uma armação que escorrega pelo nariz depois da medida fica mais baixa no uso real, deslocando todo o mapa óptico para baixo.
Altura incorreta dos olhos do profissional
Se você está sentado mais alto que o cliente, vai marcar a pupila baixa demais. Se mais baixo, vai marcar alta demais. Ajuste sempre o banco ou a cadeira para que seus olhos fiquem exatamente no nível dos olhos do cliente.
Ignorar a profundidade mínima da armação
Adaptar um cliente de adição alta (2,50 D ou mais) numa armação de medida B de 26 mm não deixa espaço suficiente para corredor e zona de perto. Pela regra de 8 mm acima da cruz, esse B limita a altura de montagem a 18 mm, já no limite dos desenhos de corredor padrão, e a tabela de disponibilidade da Essilor restringe a adição máxima de vários desenhos Varilux quando a altura fica abaixo de 17 mm. Confira a medida B contra a altura mínima especificada pelo fabricante antes de o cliente escolher a armação.
Não considerar a postura natural
Medir com o cliente sentado de forma artificialmente ereta superestima a altura de montagem. Meça na postura habitual e relaxada do cliente.
Ignorar alturas oculares assimétricas
Clientes com assimetria facial podem precisar de alturas de montagem diferentes para cada lente. Registre as medidas separadamente, sem tirar a média.
Erros de altura e de DNP são as causas mais frequentes de refação em lentes progressivas, o item que mais corrói a margem da ótica. A altura da cruz de montagem é um dos quatro parâmetros de posicionamento com tolerância definida em norma, ao lado da posição horizontal da cruz, do prisma no ponto de referência e do desequilíbrio prismático vertical do par. Esses limites, mais os parâmetros que dependem da ficha do desenho e o teste que identifica cada causa na bancada, estão no guia de erros de montagem em lentes progressivas.
Altura de montagem e DNP: duas medidas, um único alinhamento
A altura de montagem e a distância naso-pupilar (DNP) definem juntas o centro óptico da lente em dois planos:
| Medida | Plano | O que controla |
|---|---|---|
| Altura de montagem | Vertical | Onde fica o gradiente de longe para perto |
| Distância naso-pupilar (DNP) | Horizontal | Centralização esquerda e direita de cada zona óptica |
As duas medidas precisam estar corretas para a lente multifocal funcionar. Um erro de centralização reduz o campo binocular aproveitável, e o efeito é mais grave quanto maior a adição. Além de reduzir o campo, a descentração induz prisma indesejado, cuja magnitude você pode estimar pela calculadora da regra de Prentice. Por isso a DNP é medida olho a olho, e nunca obtida dividindo a DP por dois.

Para a explicação completa da medição horizontal, veja o guia de distância naso-pupilar (DNP) e o de distância pupilar (DP).
Escolhendo armações compatíveis com lentes multifocais
Nem toda armação é compatível com lentes multifocais. Antes de o cliente escolher, verifique:
- Medida B suficiente, para que o desenho progressivo caiba inteiro no formato da lente: a altura de montagem precisa ficar entre o mínimo do desenho e B menos 8 mm
- Curvatura discreta, já que armações muito curvas (estilo esportivo) exigem compensação freeform e a medição da distância vértice e do ângulo de curvatura para o laboratório
- Encaixe estável, porque uma armação que se move no rosto desloca as zonas ópticas de forma imprevisível; plaquetas ajustáveis ajudam a manter o encaixe constante
Para orientar a escolha conforme o formato do rosto e os tipos de óculos, veja também o guia de lentes corretivas.
Depois da entrega: adaptação às lentes multifocais
Mesmo medidas precisas podem exigir acompanhamento, e o tempo de adaptação varia de cliente para cliente. Na entrega:
- Oriente o cliente a não alternar entre os óculos monofocais antigos e os novos multifocais, porque isso prolonga a adaptação
- Se o cliente relatar visão de longe embaçada no olhar primário, verifique se a armação não escorregou (confira a altura de montagem na posição de uso)
- Se o cliente não encontra uma zona de perto nítida, confirme se a altura de montagem não foi medida alta demais
Se a queixa persistir depois do período de adaptação combinado, reverifique a altura de montagem, a DNP e o ajuste da armação antes de refazer a lente.
Perguntas frequentes sobre altura de segmento em lentes multifocais
Qual é a altura de segmento típica para lentes multifocais?
Não existe um valor único: a altura depende da posição da pupila em relação ao aro e fica entre o mínimo do desenho da lente e a medida B menos 8 mm. Desenhos de corredor curto ou variável costumam aceitar 13 a 14 mm; corredores padrão pedem 17 a 18 mm. A calculadora de altura de montagem faz essa verificação por desenho.
Qual é a altura de montagem mínima para uma lente multifocal?
Depende do desenho. Segundo as tabelas dos fabricantes reunidas na calculadora de altura de montagem, a maioria dos desenhos atuais de corredor curto ou variável aceita 13 a 14 mm, enquanto desenhos de corredor fixo convencional podem exigir 17 a 18 mm. Abaixo do mínimo, a zona de perto pode cair fora da armação. Confira sempre a tabela do fabricante daquela lente.
Quanto de zona de longe é preciso acima da cruz de montagem?
O guia de altura de montagem da ZEISS recomenda pelo menos 8 mm de lente entre a cruz de montagem e o aro superior, para garantir boa visão de longe. Com menos que isso, o risco de não adaptação aumenta.
Qual é a tolerância da altura da cruz de montagem segundo as normas?
A ANSI Z80.1-2015, na referência rápida da Vision Council, define que a altura da cruz de montagem de cada lente progressiva fique dentro de ± 1,0 mm do valor pedido, e que a diferença entre os dois olhos do par montado não passe de 1,0 mm. A ISO 21987 é a norma internacional para lentes de óculos montadas.
É possível medir a altura de montagem sem a armação física?
Em alguns métodos digitais, sim. A medição por foto permite atendimento remoto, mas o resultado depende de como a armação entra no cálculo e de a foto ser tirada nas condições corretas. O passo a passo está no guia altura de montagem sem a armação.
O que acontece se a altura de montagem for medida baixa demais?
Se a cruz de montagem fica abaixo da pupila no olhar primário, a linha de visão em repouso cai no corredor intermediário em vez da zona de longe. Isso causa visão de longe embaçada e é uma das razões mais comuns de falha de adaptação em lentes multifocais.
Altura de segmento é a mesma coisa que altura do centro óptico?
Não. Numa lente multifocal não existe um centro óptico único, porque a potência muda de forma contínua. A altura de montagem se refere à cruz de montagem, o ponto de alinhamento do laboratório para a progressão de longe a perto. Em lentes monofocais, o ponto de referência é o centro óptico, alinhado à pupila.
Referências e normas
- ANSI Z80.1-2015: referência rápida (The Vision Council)
- ISO 21987:2017: Ophthalmic optics, mounted spectacle lenses
- ZEISS Fitting Height Guidance (via ABDO)
- Essilor: Varilux Fitting & Dispensing Guide
- Essilor: Varilux Lenses Availability for Eyecare Professionals
- Garcia-Espinilla et al. (2022), Clinical and Experimental Optometry 105(4):420-427
- Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria (CBOO)
Guias relacionados no Optogrid:
- Lentes multifocais: como funcionam, tipos e adaptação
- Adição na receita de multifocal: como entender e aplicar
- Taxa de refação em lentes progressivas: como reduzir

Cresci dentro de uma ótica. Quando criança, eu gostava de ver os óculos serem montados, brincava com as ferramentas e desenhava nos talões de serviço. Foi no negócio da família que aprendi cedo o valor de uma medida precisa e de um trabalho bem feito.
Segui a carreira de engenheiro de software, com mais de vinte anos de experiência, mas sempre de olho no mercado ótico. O Optogrid nasceu desse encontro: tecnologia de medição digital (distância pupilar e altura de montagem) criada por quem conhece o balcão da ótica por dentro.
