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Optical Lab

Biselagem de Lentes: Tipos de Bisel e as 7 Etapas do Acabamento

A biselagem define o perfil da borda da lente para que ela se fixe na armação, e é a etapa em que uma lente opticamente perfeita ainda pode ser perdida. Quando a lente chega à bancada de acabamento, o grau já está pronto: a geração da curvatura, o polimento de superfície e os tratamentos ficaram para trás. O laboratório Prime Optical marca essa fronteira em uma linha, em coluna publicada no portal Opticanet: “A montagem dos óculos se inicia após a finalização do processo de surfaçagem, da aplicação do tratamento antirreflexo e da coloração” (Prime Optical, Opticanet, 2022). Daí em diante o que decide o resultado é geometria de bancada, não óptica de laboratório. Antes de bloquear qualquer lente, confirme que o disco bruto ainda cobre o formato da armação depois da descentração: a calculadora de diâmetro mínimo faz essa conta a partir da armação e da DNP. Para as etapas anteriores a esta, veja o guia de surfaçagem de lentes.

Este guia percorre as sete etapas do acabamento, na ordem em que acontecem, com o parâmetro que o montador define em cada uma e a falha típica que cada parâmetro produz.

As 7 Etapas do Acabamento, da Lente Surfaçada à Armação Montada

EtapaO que defineParâmetro na facetadoraFalha típica
1. Traçado da armaçãoFormato e material do aroMetal, plástico rígido ou flexívelEncaixe folgado ou apertado no aro
2. BlocagemOnde cai o centro ópticoCentro óptico ou centro geométricoDescentração e prisma induzido
3. Desbaste e corteDimensão final da lenteModo de desbaste, ajuste de tamanhoEixo girado, lente folgada ou apertada
4. Perfil da bordaComo a lente se prendeBisel, ranhura, plano, mini biselLente que balança ou salta do aro
5. Chanfro e polimentoSegurança e estética da bordaChanfro frontal e posterior, polimentoBorda cortante, borda fosca aparente
6. FuraçãoFixação da armação parafusadaDiâmetro, profundidade, ângulo do furoTrinca a partir do furo
7. Encaixe e conferênciaÓculos entregue dentro da normaTorque do parafuso, aquecimento do acetatoTensão no aro, medida fora da tolerância

Etapa 1: Traçado da Armação e Material do Aro

A leitora percorre o sulco interno do aro e devolve o perfil que a facetadora vai reproduzir. Uma escolha do operador entra aqui antes de o traçado começar: o material do aro.

O manual do facetador Huvitz HPE-810 pede que o material seja informado antes do traçado, entre metal, plástico rígido e plástico flexível, porque o valor de compensação de tamanho usado no corte depende dessa escolha. O mesmo manual é direto quanto ao efeito de misturar as variáveis: material do aro, material da lente e espessura da lente influenciam a qualidade do encaixe. Errar esse campo é o caminho mais curto para uma lente que sai folgada em acetato ou apertada em metal, com o traçado geometricamente correto.

Vale conferir também o que a sua leitora captura. Um traçado bidimensional devolve só o contorno do aro, sem a curvatura do sulco, e em armação envolvente isso significa entregar à facetadora um perfil plano de um sulco que não é plano. Equipamentos da geração atual resolvem isso lendo a armação em três dimensões por padrão: a ficha técnica do HPE-810 descreve a leitora como de traçado binocular tridimensional automático, sem modo alternativo. Quem trabalha com leitora antiga, apenas bidimensional, precisa tratar armação de curva alta como caso à parte, com conferência da aresta antes de fechar o ciclo. (O mesmo manual oferece seleção entre curva baixa e curva alta, mas para outro caso: leitura de gabarito ou de lente demo, não de armação.)

O formato lido nesta etapa é o mesmo que alimenta as medidas de aro, ponte e diagonal usadas no sistema boxing, a convenção que dá nome a todas as dimensões que aparecem no pedido.


Etapa 2: Blocagem, a Etapa Que Define Onde Cai o Centro Óptico

A blocagem prende a lente ao adaptador que a facetadora vai girar, e ao fazer isso registra onde está o centro óptico em relação ao formato da armação. É a etapa de maior consequência óptica de toda a bancada. A descrição do processo pela Prime Optical é literal: “a lente sofre o que chamamos de blocagem, ou seja, ela é fixada milimétrica e individualmente por uma ventosa, antes de ser cortada no formato da armação”.

Existem dois modos, e a escolha entre eles não é preferência pessoal. O manual do HPE-810 define os dois: na blocagem ativa o adaptador é fixado no centro óptico da lente; na blocagem passiva ele é fixado no centro geométrico da armação (o centro boxing, o ponto em que a linha média horizontal cruza a vertical). A blocagem ativa é mais rápida, porque basta seguir a marcação do lensômetro, mas o manual registra a limitação: quando o centro óptico está longe do centro da armação, a blocagem ativa pode produzir um resultado de qualidade inferior, e nesse caso a passiva é a recomendada.

O manual lista três situações em que o centro geométrico é a escolha certa: DNP em posição excêntrica, armação horizontalmente larga e lente super hidrofóbica ou de índice muito alto. As três são rotina em ótica, não exceções.

O erro de blocagem é o erro de medida que chegou até a bancada. Um milímetro de deslocamento no bloqueador é um milímetro de descentração no óculos pronto, e o prisma induzido que resulta depende do grau, como mostra a calculadora da regra de Prentice. Em progressivas o mesmo milímetro desloca o corredor inteiro, e a origem costuma estar antes da bancada: os erros de montagem em lentes progressivas mostram quais deles nascem de uma medida errada na ordem de serviço. Como a blocagem apenas reproduz o que a ótica mediu, medir a DNP olho a olho e a altura de montagem com precisão é o que impede o erro de entrar no processo. O Optogrid captura as duas a partir de uma foto do cliente com a armação escolhida e guarda o histórico de medições de cada cliente.


Etapa 3: Desbaste e Corte na Facetadora

O corte é feito nas máquinas que o mercado brasileiro chama de facetadoras, descritas pela Prime Optical como “máquinas computadorizadas e altamente tecnológicas” capazes de cortar cristal, resina, policarbonato e Trivex. O ciclo padrão começa por um desbaste que remove o grosso do material e termina em um passe de acabamento que refina o contorno.

Três controles decidem se a lente sai com o eixo intacto:

Modo de desbaste. O HPE-810 oferece três: normal, com a lente em contato direto com o rebolo; espiral, com contato gradual; e axial, em que a lente encosta horizontalmente e se separa do rebolo durante a rotação. O manual indica o modo axial para lentes super hidrofóbicas e de índice muito alto, que segundo ele têm forte probabilidade de girar o eixo, e recomenda o modo de segurança sempre que a lente for frágil ou o eixo se mover com facilidade.

Fita ou etiqueta de blocagem. O mesmo manual é categórico: para lentes hidrofóbicas, é obrigatório usar as etiquetas fornecidas pelo fabricante da lente, sob pena de distorção do eixo. Ele também restringe a pastilha adesiva compatível com o equipamento a um único produto homologado. Superfície antirreflexo com tratamento hidrofóbico é justamente a que menos adere, e é nela que a lente escapa do adaptador no meio do corte.

Ajuste de tamanho. A facetadora aceita uma correção de dimensão na faixa de menos 2,0 a mais 2,0 mm, salva por material de armação. É o parâmetro que compensa a diferença sistemática entre o traçado e o encaixe real de cada tipo de aro. Ajustar essa compensação uma vez por material de armação elimina a maior parte das lentes que saem folgadas ou apertadas.

O tamanho mínimo do disco bruto precisa ter sido conferido antes de tudo isso: nenhum ajuste de corte recupera uma lente pequena demais para o formato pedido, como detalha o guia de diâmetro mínimo de corte.


Etapa 4: O Perfil da Borda, Bisel por Tipo de Aro

O perfil da borda é o que prende a lente. Ele não é uma escolha estética: a patente brasileira de método de determinação do formato do bisel, depositada pela Essilor, coloca a regra de forma explícita ao afirmar que “a geometria do bisel, particularmente sua posição e formato, depende da armação de óculos na qual a lente oftálmica deve ser montada” (BRPI0821730B1). O mesmo documento descreve os dois casos básicos pelo formato do sulco: sulco em V recebe uma aresta em Λ, que é a ponta corrida que o mercado chama de bisel em V; sulco em U, típico da armação quase sem aro presa por cordão de retenção, recebe um canal em U, que na bancada é a ranhura de fio de nylon. Na tabela abaixo os nomes estão como aparecem na tela da facetadora, não como aparecem na patente.

Perfil na facetadoraOnde se usaComo a lente fica presaPonto de atenção
Bisel em VAro fechado de metalAresta em Λ assentada no sulco em VPosição frente/verso muda com o grau
Bisel largoAro fechado de acetato e armação de proteçãoAresta apoiada em sulco mais largoAquecer o acetato antes do encaixe
Mini biselAro raso ou de sulco pouco profundoAresta de altura reduzidaBisel padrão sobra e a lente não entra
Bisel de curva altaArmação envolvente e esportivaAresta acompanhando a curva do aroDepende de leitora que capture a curva do sulco
Ranhura (o sulco em U da patente)Armação de meio aro, fio de nylonFio alojado no canal da bordaCanal fora de rota afina a parede
Plano polidoArmação parafusada, sem aroParafuso e bucha, sem biselBorda visível, polimento obrigatório

A escolha do perfil resolve metade do problema. A outra metade é a posição da aresta na espessura da borda. A facetadora define essa posição em percentual medido a partir da face frontal, ou em milímetros a partir da frente ou do verso, e oferece ainda um modo automático que, segundo o manual do HPE-810, calcula a posição de encaixe mais natural a partir das curvas frontal e posterior da lente e do formato da armação.

O modo automático acerta na maioria dos trabalhos e erra justamente onde dói: grau alto. Em uma lente negativa forte, a borda é muito mais espessa que o centro, e o sulco do aro não acompanha essa espessura. Com a aresta centrada no meio da borda, sobra material na frente da aresta, e essa sobra frontal encosta na face externa do aro e empurra a lente para trás, deixando a borda saliente e o assentamento instável. A patente descreve o mesmo problema pelo lado da curvatura, ao registrar que “quando a curvatura do formato da ranhura é diferente da curvatura da face frontal da lente oftálmica selecionada pelo fabricante, é vantajoso adaptar o formato do bisel”. Na prática de bancada, isso significa puxar a aresta para a frente em miópicas altas e conferir o resultado com a lente encostada no aro antes de acabar o ciclo.

O mapeamento entre perfil e tipo de armação é o mesmo descrito pelo laboratório independente Laramy-K: armações de aro fechado usam bisel em V para retenção; nas de meio aro, a borda é acabada plana e ranhurada para alojar o fio de nylon; e as sem aro exigem uma borda perfeitamente plana e lisa.

Vale saber que ranhura e bisel não precisam ser exclusivos. O HPE-810 oferece ranhuramento parcial em quatro combinações, incluindo plano com ranhura, bisel com ranhura e bisel com plano, usadas em armações mistas em que parte do contorno é aro e parte é fio. A profundidade, a largura e a posição do canal têm regras próprias, tratadas no guia de ranhuramento e montagem em fio de nylon.


Etapa 5: Chanfro de Segurança e Polimento da Borda

Chanfro e polimento fecham o ciclo da facetadora: são configurados na mesma tela de opções do trabalho e executados na mesma máquina que acabou de cortar a borda, sem retirar a lente do adaptador.

O chanfro quebra a aresta viva deixada pelo rebolo. É configurado em separado para a face frontal, ligado ou desligado, e para a face posterior, com opções de desligado, pequeno ou grande.

Em lente de cristal ele deixa de ser conforto e vira segurança. O manual do HPE-810 traz o aviso em caixa própria: o chanfro em lentes de vidro deve ser feito nas duas faces, sob risco de causar dano à pele ou aos olhos. O mesmo equipamento simplesmente não executa polimento, ranhuramento nem furação em cristal.

Duas incompatibilidades de ciclo valem memorizar, porque geram retrabalho silencioso: o chanfro não fica disponível quando o tipo de processamento combina bisel com ranhura, nem no modo de ranhuramento híbrido. Quem programa um desses ciclos precisa prever o acabamento da aresta em uma passada à parte.

O polimento tem três posições no equipamento: desligado, ligado e alto brilho. Em aro fechado ele é cosmético, já que a borda fica coberta. Em armação parafusada e em lente de índice alto, a borda aparece, e a diferença entre uma borda fosca e uma polida é visível a um metro de distância.


Etapa 6: Furação para Armação Parafusada

Encerrado o ciclo da facetadora, a lente destinada a armação parafusada vai para a furadeira, que na maioria das bancadas é uma unidade separada acionada pela facetadora, e que o gerenciador de trabalhos do HPE-810 acompanha como um estado próprio, seguinte ao de faceteamento.

Armação sem aro fixa a lente por parafuso, e o furo passa a ser o ponto mais frágil da peça. A coluna da Prime Optical observa o custo dessa escolha no fluxo do laboratório: “a montagem de óculos com armação do tipo Balgriff, que requer perfuração nas lentes, costuma levar um tempo maior para ser finalizada”.

Há uma restrição de processo nesta etapa que costuma pegar o montador de surpresa: para furar, o modo de blocagem precisa estar no centro geométrico da armação, e o equipamento troca o modo sozinho assim que um furo é adicionado.

Nenhum parâmetro de furação compensa material errado. Qual material aceita broca, a espessura exigida no ponto onde ela entra e o chanfro que evita a trinca em estrela têm regras próprias, reunidas no guia de furação de lentes e montagem parafusada.


Etapa 7: Encaixe na Armação e Conferência Final

O acetato é aquecido para relaxar o aro, a lente entra, e o aro esfria fechando sobre o bisel. O aro de metal fecha por parafuso. Nos dois casos, o risco é o mesmo e tem nome: tensão residual em uma lente cortada grande demais para o aro.

A análise da 20/20 Magazine sobre fraturas por tensão descreve o impulso que causa o problema no balcão, o de dar mais uma volta no parafuso para fechar a fresta do aro, e conclui que, ao apertar demais o aro, a lente vai ter que ceder em algum lugar, e a trinca resultante é só o começo do que pode acontecer. A mesma publicação ordena os materiais por risco: a resina comum é a mais propensa a trincar; o policarbonato é um dos piores casos, ainda que a trinca avance devagar; e o Trivex apresenta quase nenhuma ocorrência de fratura por tensão.

A leitura de bancada disso é simples: se a lente só entra forçando, ela está grande, e o lugar de corrigir é a facetadora, com o ajuste de tamanho da etapa 3, não o parafuso. Quando a lente entra no tamanho certo e mesmo assim não assenta ou sai do lugar depois de montada, o problema deixa de ser corte e passa a ser forma: é a curva de base da lente oftálmica que não corresponde à curvatura do aro daquela armação.

A conferência final fecha o processo. A coluna da Prime Optical a descreve como o momento em que “a montagem é conferida de forma minuciosa, levando-se em consideração o acabamento do serviço, as medidas realizadas no processo”.

Vale separar esta conferência da que o laboratório de surfaçagem já fez. Lá, a lente é medida solta, contra a receita, no escopo da ISO 8980-1, que trata de lentes acabadas não cortadas. Aqui, ela é medida montada, contra a ordem de serviço e contra a armação, no escopo da ISO 21987, que trata de lentes para óculos já montadas. Uma lente aprovada solta ainda pode reprovar montada, porque a montagem acrescenta centração, assentamento e alinhamento à lista.

Esta é a conferência de bancada, feita com o óculos já montado e sem o cliente na frente, e é por isso que ela abre pelo instrumento e fecha pela armação: o que se está julgando aqui é o próprio serviço que acabou de sair da facetadora. A triagem de um óculos que voltou, com o cliente presente, começa pelo lado oposto, reajustando a armação antes de qualquer medida. Na prática, quatro verificações:

  1. Grau, eixo e adição no lensômetro, contra a ordem de serviço. O lensômetro digital reduz o erro de leitura nesta conferência.
  2. Posição do centro óptico e da cruz de montagem, olho a olho, contra os valores pedidos. Os limites aplicáveis estão nas tolerâncias de lentes oftálmicas; no Brasil, a lente já montada na armação é objeto da ABNT NBR ISO 21987.
  3. Assentamento no aro, com a lente apoiada e sem balanço, e sem fresta visível no sulco.
  4. Alinhamento da armação, com as duas lentes no mesmo plano e a frente sem torção.

Como Cada Material se Comporta na Facetadora

MaterialComportamento no corteCuidado na bancada
Resina CR-39Corte limpo, resíduo fino que escoa bemMaterial de referência no corte, mas a mais propensa a trincar sob tensão de aro fechado (20/20)
PolicarbonatoResíduo em lasca, que carrega o reboloRebolo afiado e refrigeração constante; polir a borda
TrivexCorte próximo ao do policarbonatoMenor ocorrência de fratura por tensão entre os plásticos (20/20)
Índice alto (1,60 a 1,74)Superfície escorregadia, eixo gira com facilidadeModo axial de desbaste e etiqueta do fabricante
CristalA facetadora de ótica não pole, não ranhura nem fura vidroChanfro obrigatório nas duas faces; a ranhuradora dedicada abre exceção para a ranhura, ver o guia de ranhuramento

Esta tabela olha o material no ciclo da facetadora. Como cada um deles se comporta sob a broca, que é outra pergunta e tem outra ordem de preferência, está no guia de furação de lentes e montagem parafusada.

O ponto que separa a resina do policarbonato na prática é o resíduo. O CR-39 gera pasta fina, que o circuito de refrigeração leva embora. O policarbonato gera lasca, que carrega o rebolo e entope o retorno de água. Rebolo trabalhando seco, ainda que por pouco tempo, lasca a borda e encurta a vida da ferramenta.


Os Cinco Erros de Bancada Que Mais Geram Refação

  1. Material do aro errado no traçado. É o campo que define a compensação de tamanho, e trocar acetato por metal produz uma lente folgada ou apertada com o contorno perfeitamente correto. Em bancada que ainda usa leitora bidimensional, some a isso a curva do sulco, que não entra no arquivo.
  2. Blocagem no centro óptico quando a DNP é excêntrica. O manual do equipamento recomenda o centro geométrico justamente nesse caso, e é o cenário em que a blocagem ativa entrega o pior resultado.
  3. Aresta centrada na espessura em miópica alta. Sobra material na frente da aresta, a lente não assenta e a borda fica saliente. Puxar a posição do bisel para a face frontal corrige.
  4. Etiqueta comum em lente hidrofóbica. O eixo gira no meio do corte e a lente sai fora do eixo pedido. Só as etiquetas do fabricante da lente seguram esse tipo de superfície.
  5. Fechar o aro no parafuso para eliminar a fresta. Cria tensão residual e a trinca aparece semanas depois, já com o cliente. A lente está grande e o ajuste é na facetadora.

Quatro desses cinco são decisões de bancada, corrigíveis com parâmetro de máquina. O segundo depende de uma medida que veio da ótica, e é o único que a bancada não consegue consertar sozinha.

Perguntas Frequentes

O que é biselagem de lentes?

Biselagem é a etapa do acabamento em que a borda da lente já cortada recebe o perfil que vai prendê-la à armação. Em aro fechado esse perfil é uma aresta em V; em armação de meio aro, um canal para o fio de nylon; em armação parafusada, uma borda plana e polida, sem bisel. A geometria escolhida depende do tipo de aro e da curva da armação, não da preferência do montador.

Qual a diferença entre facetagem e biselagem?

No uso corrente das óticas brasileiras, facetagem é o processo inteiro executado na facetadora, do desbaste ao acabamento da borda, e biselagem é a operação específica que forma o perfil de encaixe. Toda lente passa por corte; o tipo de bisel varia conforme a armação. Por isso o equipamento aparece no mercado como facetadora, e o parâmetro na tela aparece como bisel, ranhura, plano ou mini bisel.

Qual bisel usar em cada tipo de armação?

Aro fechado de metal usa bisel em V. Aro fechado de acetato usa bisel largo, porque o sulco também é. Aro raso pede mini bisel, de altura reduzida, quando o bisel padrão sobra além da profundidade do sulco. Armação envolvente pede bisel acompanhando a curva alta, o que depende de a leitora capturar a curvatura do sulco e não só o contorno. Armação de meio aro recebe borda plana com ranhura, e armação parafusada recebe borda plana e polida.

Blocar no centro óptico ou no centro geométrico da armação?

A blocagem no centro óptico é mais rápida, porque basta seguir a marcação do lensômetro. O manual do facetador Huvitz HPE-810 recomenda trocar para o centro geométrico da armação, o centro boxing, em três situações: DNP em posição excêntrica, armação horizontalmente larga e lente super hidrofóbica ou de índice muito alto. Para furação de armação parafusada, o centro geométrico é obrigatório, e o equipamento troca o modo automaticamente ao receber o primeiro furo.

Por que a lente trinca depois de montada?

Quase sempre por tensão residual: a lente foi cortada um pouco grande e o aro foi fechado à força sobre ela. A 20/20 Magazine descreve o gesto de origem, o de apertar mais o parafuso para fechar a fresta do aro, e classifica a resina comum como a mais propensa a trincar, o policarbonato como um dos piores casos, ainda que a trinca avance devagar, e o Trivex como o de menor ocorrência. A correção é reduzir a lente na facetadora, não afrouxar ou apertar o parafuso.

Por que a lente antirreflexo sai fora do eixo no corte?

Porque a superfície hidrofóbica do tratamento reduz a aderência do adesivo de blocagem, e a lente gira no adaptador durante o ciclo. O manual do HPE-810 exige, para lentes hidrofóbicas, as etiquetas fornecidas pelo próprio fabricante da lente e limita a pastilha adesiva compatível a um único modelo homologado. Em lentes de índice muito alto, o modo de desbaste axial reduz ainda mais a chance de o eixo girar.

Lente de cristal pode ser ranhurada ou furada?

Na facetadora, não. O manual do HPE-810 exclui polimento, ranhuramento e furação do cristal, e obriga o chanfro de segurança nas duas faces da lente de vidro, para evitar borda cortante. A ranhura tem uma exceção fora da facetadora: o manual do Amcon Auto Groover, ranhuradora de bancada, traz um procedimento para vidro duro, em duas voltas, com a ressalva de conferir antes a legislação local sobre lente de vidro. O furo não tem exceção equivalente. Na prática, cristal fica limitado a aro fechado. Qual material usar quando a armação é parafusada, com as espessuras exigidas no ponto do furo, está no guia de furação de lentes e montagem parafusada.