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conjuntivite bacteriana

Conjuntivite Bacteriana: Sintomas, Tratamento e Diagnóstico Diferencial

Resposta direta: A conjuntivite bacteriana é uma infecção da conjuntiva — a membrana que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras — causada principalmente por Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. O sinal mais característico é a secreção purulenta amarelo-esverdeada que cola os olhos ao acordar. Com tratamento adequado (colírios antibióticos por 7 a 10 dias), a maioria dos casos resolve em 5 a 7 dias.

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O Que É Conjuntivite Bacteriana

A conjuntivite bacteriana é uma infecção da conjuntiva, a membrana transparente que reveste a esclera (parte branca do olho) e o interior das pálpebras. Quando bactérias colonizam essa estrutura, ocorre inflamação com produção de secreção purulenta.

A infecção se transmite pelo contato direto com secreções oculares infectadas ou com superfícies contaminadas (toalhas, lenços, mãos). Qualquer pessoa pode ser afetada, mas crianças em idade escolar têm incidência maior, especialmente em ambientes coletivos.

Segundo o StatPearls (NCBI Bookshelf), a conjuntivite aguda de todas as causas afeta aproximadamente 6 milhões de pessoas por ano somente nos Estados Unidos, sendo a forma bacteriana responsável por cerca de 50% dos casos em crianças.

Agentes Causadores Mais Comuns

Os microrganismos variam conforme a faixa etária:

Faixa etáriaAgente mais comumOutros agentes frequentes
CriançasHaemophilus influenzaeStreptococcus pneumoniae, Moraxella catarrhalis
AdultosStaphylococcus aureusH. influenzae, S. pneumoniae
Usuários de lente de contatoPseudomonas aeruginosaGram-negativos em geral
Recém-nascidosNeisseria gonorrhoeaeChlamydia trachomatis

A conjuntivite neonatal causada por Neisseria gonorrhoeae é considerada uma emergência médica — veja a seção específica mais abaixo.


Diagnóstico Diferencial: Bacteriana, Viral ou Alérgica

Distinguir o tipo de conjuntivite é fundamental para o tratamento correto. O uso inadequado de antibióticos em formas virais ou alérgicas não traz benefício e contribui para a resistência bacteriana.

CaracterísticaBacterianaViralAlérgica
Tipo de secreçãoPurulenta, amarelo-esverdeada, espessaAquosa, transparenteAquosa ou mucoide, rara
Pálpebras coladas ao acordarSim, frequenteÀs vezesNão
Coceira intensaLeve a moderadaLeveIntensa (sinal predominante)
VermelhidãoPresentePresentePresente
Afeta um ou dois olhosUm ou doisComeça em um, evolui para ambosGeralmente ambos
Linfonodo pré-auricularRaroFrequentemente aumentadoAusente
Histórico de infecção respiratóriaNãoFrequenteNão
Histórico de alergiasNãoNãoSim
Duração sem tratamento7 a 14 dias2 a 3 semanasEnquanto houver exposição ao alérgeno
TratamentoColírios antibióticosCompressas frias, lágrima artificialAnti-histamínicos tópicos, evitar alérgeno

Referência: StatPearls — Conjunctivitis (NCBI Bookshelf)


Principais Sintomas da Conjuntivite Bacteriana

Conjuntivite viral

Sintomas típicos

  • Secreção purulenta amarelo-esverdeada — o sinal mais característico. A secreção é espessa e reaparece após ser removida. Pode colar as pálpebras ao acordar.
  • Vermelhidão intensa — causada pela dilatação dos vasos sanguíneos da conjuntiva em resposta à infecção.
  • Sensação de areia ou corpo estranho — irritação constante pela inflamação da conjuntiva.
  • Inchaço das pálpebras — resposta inflamatória local ao agente infeccioso.
  • Lacrimejamento — produção aumentada de lágrimas como resposta à irritação.
  • Fotofobia leve a moderada — sensibilidade à luz causada pela inflamação.

Sintomas que exigem avaliação médica imediata

Os seguintes sinais indicam possível complicação ou outra condição mais grave:

  • Dor ocular intensa — diferente do simples desconforto ou sensação de areia.
  • Visão embaçada que persiste após limpar a secreção — pode indicar envolvimento da córnea. Leia mais sobre acuidade visual e alterações na visão.
  • Ausência de melhora após 2 a 3 dias de tratamento antibiótico.
  • Secreção muito abundante em recém-nascido — sinal de alerta para conjuntivite neonatal (ver seção abaixo).
  • Febre associada — pode indicar infecção sistêmica disseminada.

Tratamento da Conjuntivite Bacteriana

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O tratamento de primeira linha são os colírios antibióticos de amplo espectro. Segundo o Manual MSD (edição para profissionais), as opções incluem:

  • Moxifloxacino 0,5% (fluoroquinolona) — 2 a 4 aplicações por dia
  • Ciprofloxacino ou outra fluoroquinolona de uso ocular
  • Tobramicina (aminoglicosídeo) — 4 a 6 aplicações por dia
  • Trimetoprima/polimixina B — opção para casos não complicados

Duração: “2 a 4 vezes ao dia durante 7 a 10 dias” (Manual MSD). O StatPearls indica que “a duração do tratamento é geralmente de cinco a sete dias.”

A melhora dos sintomas costuma ocorrer em 2 a 5 dias com tratamento adequado. Mesmo com melhora precoce, é fundamental concluir o ciclo completo do antibiótico para eliminar totalmente a bactéria e evitar recorrência.

Cuidados complementares

  • Limpar suavemente a secreção com gaze estéril ou compressa limpa umedecida em soro fisiológico ou água morna — sempre do canto interno para o externo do olho.
  • Não esfregar os olhos: aumenta a irritação e pode disseminar a infecção.
  • Compressas frias para aliviar o edema palpebral.
  • Suspender o uso de lentes de contato durante todo o tratamento.

Quando são necessários antibióticos sistêmicos

A forma oral de antibióticos é reservada para:

  • Casos com resposta insatisfatória aos colírios após 2 a 3 dias.
  • Infecção por Neisseria gonorrhoeae (requer ceftriaxona IM + azitromicina oral).
  • Infecção associada a otite média em crianças (síndrome conjuntivite-otite, frequentemente por H. influenzae).

Sempre consulte um oftalmologista para a prescrição e ajuste do tratamento.


Conjuntivite Neonatal: Quando É uma Emergência

A conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal) ocorre nas primeiras quatro semanas de vida e deve ser tratada com urgência. Os principais agentes são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, adquiridos no canal de parto.

Sinais de alerta no recém-nascido:

  • Secreção purulenta abundante nas primeiras horas ou dias de vida.
  • Edema intenso das pálpebras.
  • Aparecimento de secreção entre o 2º e 5º dia de vida sugere infecção por N. gonorrhoeae.
  • Aparecimento entre o 5º e 14º dia sugere C. trachomatis.

Por que é emergência: A conjuntivite gonocócica não tratada pode evoluir para ulceração da córnea e cegueira irreversível. O recém-nascido deve ser internado para avaliação de infecção disseminada e tratamento sistêmico com ceftriaxona ou cefotaxima.

Prevenção: O Ministério da Saúde (Nota Técnica nº 11/2024) recomenda a aplicação de iodopovidona a 2,5%, eritromicina 0,5% ou tetraciclina 1% nos olhos do recém-nascido como profilaxia da oftalmia neonatal, substituindo o nitrato de prata 1% anteriormente utilizado.


Prevenção da Conjuntivite Bacteriana

Tipos de conjuntivite

Higiene pessoal

  • Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos — principal medida de prevenção.
  • Não tocar os olhos com as mãos, especialmente em ambientes públicos.
  • Usar lenços descartáveis para limpar os olhos e descartar imediatamente após uso.
  • Não compartilhar toalhas, fronhas ou cosméticos oculares.

Cuidados com lentes de contato

  • Limpar e desinfetar conforme as instruções do fabricante, nunca com água da torneira.
  • Substituir as lentes no prazo recomendado.
  • Remover as lentes antes de dormir (salvo indicação específica do profissional).
  • Nunca compartilhar lentes ou estojos.
  • Suspender o uso imediatamente ao surgir qualquer sintoma ocular.

Ambiente e objetos

  • Desinfetar regularmente superfícies de alto contato: teclados, celulares, mesas.
  • Trocar cosméticos de olhos a cada 3 a 6 meses e nunca compartilhá-los.
  • Em piscinas públicas, usar óculos de natação para evitar contato com água não tratada.
  • Não usar água da torneira para lavar lentes de contato ou irrigar os olhos — usar solução estéril.

Quando Procurar um Oftalmologista

A conjuntivite bacteriana simples pode ser tratada com colírios prescritos pelo médico de família ou clínico geral. No entanto, encaminhe ao oftalmologista nos seguintes casos:

  • Recém-nascido com secreção ocular (emergência).
  • Ausência de melhora após 2 a 3 dias de antibiótico.
  • Dor ocular intensa (distinta do desconforto habitual).
  • Alteração da visão que persiste após limpeza da secreção.
  • Fotofobia intensa.
  • Suspeita de envolvimento da córnea (olho muito vermelho, dor à movimentação, sensibilidade à luz severa).
  • Recorrência frequente de conjuntivites.
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Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite Bacteriana

Conjuntivite bacteriana é contagiosa?
Sim. A transmissão ocorre por contato direto com a secreção ocular de uma pessoa infectada ou por objetos contaminados (toalhas, travesseiros, cosméticos). O período de contagiosidade se mantém enquanto houver secreção ativa. Lavar as mãos com frequência é a medida mais eficaz de prevenção.

Quanto tempo dura a conjuntivite bacteriana com tratamento?
Com colírios antibióticos prescritos, a melhora costuma ocorrer em 2 a 5 dias. A duração total do tratamento é de 7 a 10 dias. Sem tratamento, a infecção pode persistir por 10 a 14 dias.

Posso usar colírio para conjuntivite sem receita médica?
No Brasil, colírios antibióticos exigem prescrição médica. Colírios lubrificantes (lágrima artificial) podem ser usados para aliviar o desconforto enquanto aguarda consulta, mas não tratam a infecção bacteriana. O uso indevido de antibióticos favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Como diferenciar conjuntivite bacteriana da viral em casa?
O sinal mais prático é o tipo de secreção: amarelo-esverdeada e espessa sugere origem bacteriana; aquosa e transparente sugere origem viral. Outros indicativos de conjuntivite viral incluem histórico de resfriado recente e linfonodo palpável atrás da orelha. A confirmação exige avaliação médica.

Posso usar lentes de contato com conjuntivite bacteriana?
Não. As lentes devem ser retiradas ao surgir qualquer sintoma de conjuntivite e mantidas suspensas durante todo o tratamento. Retome o uso somente após resolução completa dos sintomas e com autorização do profissional de saúde.

Conjuntivite bacteriana pode afetar a visão permanentemente?
Em adultos saudáveis, a conjuntivite bacteriana simples raramente causa dano permanente quando tratada adequadamente. O risco aumenta em casos não tratados, em recém-nascidos com conjuntivite neonatal gonocócica (risco real de cegueira) e em casos com envolvimento da córnea. Qualquer alteração visual deve ser avaliada com urgência — saiba mais sobre acuidade visual e seus limiares.

Quando a conjuntivite bacteriana é considerada emergência?
Todo caso de secreção ocular em recém-nascido deve ser tratado como emergência. Em outras faixas etárias, constituem emergência: dor intensa, visão embaçada que persiste após limpeza, suspeita de envolvimento da córnea e ausência de resposta ao tratamento em 48 a 72 horas.


Referências

  1. Azari AA, Arabi A. Conjunctivitis: A Systematic Review. StatPearls — NCBI Bookshelf. Última atualização: 2023.
  2. Rodriguez-Garcia A, et al. Bacterial Conjunctivitis. StatPearls — NCBI Bookshelf. Última atualização: 2023.
  3. Merck Manual (versão profissional). Conjuntivite bacteriana aguda. Acesso: fevereiro 2026.
  4. Ministério da Saúde. Conjuntivite neonatal: diretriz é atualizada com novas recomendações — Nota Técnica nº 11/2024. Julho 2024.
  5. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/MS). Conjuntivite. Ministério da Saúde do Brasil.
  6. Haas W, et al. Microbiological etiology and susceptibility of bacterial conjunctivitis isolates from clinical trials with ophthalmic, twice-daily besifloxacin. PubMed — PMID 22644963.

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