A conjuntivite bacteriana é uma infecção ocular causada por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. O principal sinal clínico é a secreção purulenta amarelo-esverdeada que cola as pálpebras ao acordar. Com tratamento adequado usando colírios antibióticos por 5 a 7 dias, a maioria dos casos evolui para cura clínica. Sem tratamento, cerca de 41% dos casos se resolvem espontaneamente entre o 6o e o 10o dia, segundo revisão sistemática da Cochrane.

Como a Conjuntivite Bacteriana se Desenvolve e se Transmite
A conjuntiva é a membrana transparente que reveste a esclera (parte branca do olho) e o interior das pálpebras. Quando bactérias colonizam essa estrutura, a resposta inflamatória produz secreção purulenta, vermelhidão e edema. A anatomia dos olhos facilita o entendimento dessa dinâmica.
A transmissão ocorre por contato direto com secreções oculares infectadas ou por superfícies contaminadas: toalhas, lenços, mãos e até cosméticos compartilhados. Crianças em idade escolar apresentam incidência maior, especialmente em ambientes coletivos como creches e escolas.
Segundo dados publicados no BMC Ophthalmology, a incidência anual estimada é de 135 casos por 10.000 habitantes nos Estados Unidos, com custo direto e indireto de US$ 589 milhões anuais. A forma bacteriana responde por cerca de 50% dos casos de conjuntivite em crianças, conforme o StatPearls.
Agentes Causadores por Faixa Etária
Os microrganismos responsáveis variam conforme a idade do paciente:
| Faixa etária | Agente mais comum | Outros agentes frequentes |
|---|---|---|
| Crianças | Haemophilus influenzae | Streptococcus pneumoniae, Moraxella catarrhalis |
| Adultos | Staphylococcus aureus | H. influenzae, S. pneumoniae |
| Usuários de lente de contato | Pseudomonas aeruginosa | Gram-negativos em geral |
| Recém-nascidos | Neisseria gonorrhoeae | Chlamydia trachomatis |
A conjuntivite neonatal por Neisseria gonorrhoeae é considerada uma emergência médica. Veja a seção específica mais abaixo.
Diagnóstico Diferencial: Bacteriana, Viral ou Alérgica
Distinguir o tipo de conjuntivite é fundamental para o tratamento correto. O uso inadequado de antibióticos em formas virais ou alérgicas não traz benefício clínico e contribui para a resistência bacteriana.
| Característica | Bacteriana | Viral | Alérgica |
|---|---|---|---|
| Tipo de secreção | Purulenta, amarelo-esverdeada, espessa | Aquosa, transparente | Aquosa ou mucoide, rara |
| Pálpebras coladas ao acordar | Sim, frequente | Às vezes | Não |
| Coceira intensa | Leve a moderada | Leve | Intensa (sinal predominante) |
| Vermelhidão | Presente | Presente | Presente |
| Afeta um ou dois olhos | Um ou dois | Começa em um, evolui para ambos | Geralmente ambos |
| Linfonodo pré-auricular | Raro | Frequentemente aumentado | Ausente |
| Histórico de infecção respiratória | Não | Frequente | Não |
| Histórico de alergias | Não | Não | Sim |
| Duração sem tratamento | 7 a 14 dias | 2 a 3 semanas | Enquanto houver exposição ao alérgeno |
| Tratamento | Colírios antibióticos | Compressas frias, lágrima artificial | Anti-histamínicos tópicos, evitar alérgeno |
Referência: StatPearls, Conjunctivitis (NCBI Bookshelf)
Principais Sintomas da Conjuntivite Bacteriana

Sintomas típicos
- Secreção purulenta amarelo-esverdeada: o sinal mais característico. A secreção é espessa, reaparece após ser removida e pode colar as pálpebras ao acordar.
- Vermelhidão intensa: causada pela dilatação dos vasos sanguíneos da conjuntiva em resposta à infecção.
- Sensação de areia ou corpo estranho: irritação constante pela inflamação da conjuntiva.
- Inchaço das pálpebras: resposta inflamatória local ao agente infeccioso.
- Lacrimejamento: produção aumentada de lágrimas como resposta reflexa à irritação.
- Fotofobia leve a moderada (sensibilidade à luz): causada pela inflamação conjuntival.
Sintomas que exigem avaliação médica imediata
Os seguintes sinais indicam possível complicação ou outra condição mais grave:
- Dor ocular intensa, diferente do simples desconforto ou sensação de areia.
- Visão embaçada que persiste após limpar a secreção, o que pode indicar envolvimento da córnea. Leia mais sobre acuidade visual e alterações na visão.
- Ausência de melhora após 2 a 3 dias de tratamento antibiótico.
- Secreção muito abundante em recém-nascido, sinal de alerta para conjuntivite neonatal (ver seção abaixo).
- Febre associada, que pode indicar infecção sistêmica.
Tratamento da Conjuntivite Bacteriana

O tratamento de primeira linha consiste em colírios antibióticos de amplo espectro. Conforme publicado no BMC Ophthalmology, “uncomplicated cases can be treated with a topical antibiotic such as tobramycin, trimethoprim/polymyxin B, a fluoroquinolone or chloramphenicol four times daily for 5–7 days.”
Opções de Colírios Antibióticos para Conjuntivite Bacteriana
| Antibiótico | Classe | Posologia | Duração |
|---|---|---|---|
| Moxifloxacino 0,5% | Fluoroquinolona | 2 a 4 vezes ao dia | 5 a 7 dias |
| Ciprofloxacino 0,3% | Fluoroquinolona | 4 vezes ao dia | 5 a 7 dias |
| Tobramicina 0,3% | Aminoglicosídeo | 4 a 6 vezes ao dia | 5 a 7 dias |
| Trimetoprima/polimixina B | Associação | 4 vezes ao dia | 5 a 7 dias |
Não existe consenso sobre qual antibiótico tópico é superior. Segundo o mesmo estudo do BMC Ophthalmology, “there is no clear best choice for topical antibiotics,” e a escolha deve considerar padrões locais de resistência, custo, posologia e fatores individuais do paciente.
A revisão Cochrane de Sheikh et al. (2012) confirma que antibióticos tópicos aceleram a remissão clínica precoce (dias 2 a 5), com risco relativo de 1,36 (IC 95%: 1,15 a 1,61) comparado ao placebo.
Mesmo com melhora precoce, é fundamental concluir o ciclo completo do antibiótico para eliminar totalmente a bactéria e evitar recorrência.
Cuidados Complementares Durante o Tratamento
- Limpar suavemente a secreção com gaze estéril ou compressa limpa umedecida em soro fisiológico, sempre do canto interno para o externo do olho.
- Não esfregar os olhos, pois isso aumenta a irritação e pode disseminar a infecção.
- Aplicar compressas frias para aliviar o inchaço palpebral.
- Suspender o uso de lentes de contato durante todo o tratamento.
- Descartar cosméticos de olhos usados durante o período da infecção.
Quando São Necessários Antibióticos Sistêmicos
A forma oral ou injetável de antibióticos é reservada para:
- Casos com resposta insatisfatória aos colírios após 2 a 3 dias.
- Infecção por Neisseria gonorrhoeae, que requer ceftriaxona intramuscular associada a azitromicina oral.
- Infecção associada a otite média em crianças (síndrome conjuntivite-otite, frequentemente por H. influenzae).
Sempre consulte um oftalmologista para a prescrição e ajuste do tratamento.
Conjuntivite Bacteriana na Prática do Profissional de Ótica
Profissionais de ótica frequentemente são os primeiros a notar sinais de conjuntivite em clientes que comparecem para ajuste de óculos ou adaptação de lentes de contato. Um olho vermelho com secreção purulenta durante um atendimento é indicação para interromper o procedimento e orientar o cliente a procurar avaliação médica antes de continuar com a adaptação óptica. Essa conduta protege tanto o paciente quanto os demais clientes e equipamentos do estabelecimento.
Conjuntivite Neonatal: Quando É uma Emergência
A conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal) ocorre nas primeiras quatro semanas de vida e exige tratamento urgente. Os principais agentes são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, adquiridos no canal de parto.
Sinais de alerta no recém-nascido:
- Secreção purulenta abundante nas primeiras horas ou dias de vida.
- Inchaço intenso das pálpebras.
- Aparecimento de secreção entre o 2o e 5o dia de vida sugere infecção por N. gonorrhoeae.
- Aparecimento entre o 5o e 14o dia sugere C. trachomatis.
A conjuntivite gonocócica não tratada pode evoluir para ulceração da córnea e cegueira irreversível. O recém-nascido deve ser internado para avaliação de infecção disseminada e tratamento sistêmico com ceftriaxona ou cefotaxima.
Profilaxia atualizada: O Ministério da Saúde (Nota Técnica no 11/2024) recomenda a aplicação de iodopovidona a 2,5%, eritromicina 0,5% ou tetraciclina 1% nos olhos do recém-nascido como profilaxia da oftalmia neonatal, em substituição ao nitrato de prata 1% anteriormente utilizado.
Prevenção da Conjuntivite Bacteriana

Higiene pessoal
- Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, a principal medida de prevenção.
- Não tocar os olhos com as mãos, especialmente em ambientes públicos.
- Usar lenços descartáveis para limpar os olhos e descartar imediatamente após uso.
- Não compartilhar toalhas, fronhas ou cosméticos oculares.
Cuidados com lentes de contato
- Limpar e desinfetar conforme as instruções do fabricante. Nunca usar água da torneira.
- Substituir as lentes no prazo recomendado.
- Remover as lentes antes de dormir (salvo indicação específica do profissional).
- Nunca compartilhar lentes ou estojos.
- Suspender o uso imediatamente ao surgir qualquer sintoma ocular.
Ambiente e objetos
- Desinfetar regularmente superfícies de alto contato: teclados, celulares, mesas.
- Trocar cosméticos de olhos a cada 3 a 6 meses e nunca compartilhá-los.
- Em piscinas públicas, usar óculos de natação para evitar contato com água contaminada.
- Usar solução estéril (e não água da torneira) para lavar lentes de contato ou irrigar os olhos.
Quando Procurar um Oftalmologista
A conjuntivite bacteriana simples pode ser tratada com colírios prescritos pelo médico de família ou clínico geral. No entanto, encaminhe ao oftalmologista nos seguintes casos:
- Recém-nascido com secreção ocular (emergência).
- Ausência de melhora após 2 a 3 dias de antibiótico.
- Dor ocular intensa, distinta do desconforto habitual.
- Alteração da visão que persiste após limpeza da secreção.
- Fotofobia intensa (sensibilidade severa à luz).
- Suspeita de envolvimento da córnea (olho muito vermelho, dor à movimentação, fotofobia severa).
- Recorrência frequente de conjuntivites.

Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite Bacteriana
Conjuntivite bacteriana é contagiosa?
Sim. A transmissão ocorre por contato direto com a secreção ocular de uma pessoa infectada ou por objetos contaminados como toalhas, travesseiros e cosméticos. O período de contágio se mantém enquanto houver secreção ativa. Lavar as mãos com frequência é a medida mais eficaz de prevenção.
Quanto tempo dura a conjuntivite bacteriana com tratamento?
Com colírios antibióticos prescritos, a melhora costuma ocorrer em 2 a 5 dias. A duração total do tratamento é de 5 a 7 dias na maioria dos casos. Sem tratamento, a infecção pode persistir por 10 a 14 dias, embora cerca de 41% dos casos se resolvam espontaneamente entre o 6o e o 10o dia.
Posso usar colírio para conjuntivite sem receita médica?
No Brasil, colírios antibióticos exigem prescrição médica. Colírios lubrificantes (lágrima artificial) podem ser usados para aliviar o desconforto enquanto aguarda consulta, mas não tratam a infecção bacteriana. O uso indevido de antibióticos favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Como diferenciar conjuntivite bacteriana da viral em casa?
O sinal mais prático é o tipo de secreção: amarelo-esverdeada e espessa sugere origem bacteriana, enquanto aquosa e transparente sugere origem viral. Outros indicativos de conjuntivite viral incluem histórico de resfriado recente e linfonodo palpável atrás da orelha. A confirmação exige avaliação médica.
Posso usar lentes de contato com conjuntivite bacteriana?
Não. As lentes devem ser retiradas ao surgir qualquer sintoma de conjuntivite e mantidas suspensas durante todo o tratamento. Retome o uso somente após resolução completa dos sintomas e com autorização do profissional de saúde. Descarte as lentes que estavam em uso no início da infecção.
Conjuntivite bacteriana pode afetar a visão permanentemente?
Em adultos saudáveis, a conjuntivite bacteriana simples raramente causa dano permanente quando tratada adequadamente. O risco aumenta em casos não tratados, em recém-nascidos com conjuntivite neonatal gonocócica (risco real de cegueira) e em casos com envolvimento da córnea. Qualquer alteração visual deve ser avaliada com urgência. Saiba mais sobre acuidade visual e seus limiares.
Quando a conjuntivite bacteriana é considerada emergência?
Todo caso de secreção ocular em recém-nascido deve ser tratado como emergência. Em outras faixas etárias, constituem emergência: dor intensa, visão embaçada que persiste após limpeza, suspeita de envolvimento da córnea e ausência de resposta ao tratamento em 48 a 72 horas.
Referências
- Azari AA, Arabi A. Conjunctivitis: A Systematic Review. StatPearls, NCBI Bookshelf. Última atualização: 2023.
- Rodriguez-Garcia A, et al. Bacterial Conjunctivitis. StatPearls, NCBI Bookshelf. Última atualização: 2023.
- Merck Manual (versão profissional). Conjuntivite bacteriana aguda. Acesso: fevereiro 2026.
- Ministério da Saúde. Conjuntivite neonatal: diretriz é atualizada com novas recomendações, Nota Técnica no 11/2024. Julho 2024.
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/MS). Conjuntivite. Ministério da Saúde do Brasil.
- Haas W, et al. Microbiological etiology and susceptibility of bacterial conjunctivitis isolates. PubMed, PMID 22644963.
- Visscher KL, et al. Evidence-based Treatment of Acute Infective Conjunctivitis. BMC Ophthalmology. 2009.
- Sheikh A, et al. Antibiotics versus placebo for acute bacterial conjunctivitis. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2012.
Leia também:
- Vista Embaçada: Causas, Doenças Relacionadas e Como Prevenir
- Anatomia dos Olhos: Estruturas e o Caminho da Imagem até o Cérebro
- Optometrista: O Que Faz, Como Se Forma e Quando Consultar

Engenheiro de software com mais de vinte anos de carreira e uma sólida experiência na indústria óptica, graças ao negócio da família. Movido pela paixão de desenvolver soluções de software impactantes, orgulho-me de ser um solucionador de problemas dedicado, buscando transformar desafios em oportunidades de inovação.
