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Futuro do cuidado da saúde visual online

Teleoftalmologia no Brasil: Guia para Óticas

A teleoftalmologia no Brasil é regulamentada pela Resolução CFM n.º 2.314/2022 e pela Lei 14.510/2022. Triagem de sintomas, telediagnóstico de retinografia e acompanhamento de condições crônicas podem ser remotos. Fundoscopia com dilatação, tonometria de contato e cirurgias exigem presença física.

Juntas, essas duas normas tornaram a telessaúde permanente no Brasil e regulamentaram sete modalidades de atendimento remoto. Para profissionais de ótica, o impacto mais direto é a possibilidade de captura remota de distância naso-pupilar (DNP), que não é ato médico e pode ser realizada a distância com validação profissional.


Marco legal da telemedicina oftalmológica no Brasil

Teleoftalmologia é a prática da oftalmologia mediada por tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs), conforme definido pela Resolução CFM n.º 2.314/2022. Abrange teleconsulta, telediagnóstico, telemonitoramento e outras cinco modalidades. No Brasil, qualquer médico com CRM ativo pode exercê-la, desde que documente o consentimento do paciente e registre o atendimento em prontuário eletrônico com padrão NGS2.

A telemedicina no Brasil opera dentro de um marco legal estabelecido em duas normas complementares.

A Resolução CFM n.º 2.314/2022, publicada em 5 de maio de 2022, define telemedicina como o “exercício da medicina mediado por Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs)” e regulamenta sete modalidades de atendimento remoto. A resolução exige consentimento informado do paciente, documentação em prontuário eletrônico com padrão de segurança NGS2 e conformidade com a LGPD.

A Lei 14.510/2022, sancionada em 27 de dezembro de 2022, tornou a telessaúde permanente em todo o território nacional, revogando a legislação transitória da pandemia. A lei cobre todas as profissões de saúde regulamentadas (não apenas médicos) e garante ao profissional autonomia para decidir se usa ou não a modalidade remota.

As sete modalidades reconhecidas pela CFM 2.314/2022

ModalidadeDefiniçãoAplicação em oftalmologia
TeleconsultaConsulta não presencial entre médico e pacienteTriagem de sintomas, orientação, acompanhamento
TeleinterconsultaTroca entre médicos para apoio diagnósticoSegundo parecer especializado
TelediagnósticoEmissão remota de laudo sobre exames enviadosLaudos de retinografia, campo visual
TelemonitoramentoMonitoramento remoto de parâmetros de saúdePressão intraocular em glaucoma acompanhado
TeletriagemAvaliação remota para regulação de acessoPriorização de encaminhamentos ao SUS
TeleconsultoriaConsulta entre profissionais sobre condutasSuporte a UBS que não tem oftalmologista
TelecirurgiaProcedimentos cirúrgicos com equipamento robóticoAinda não aplicável na prática clínica rotineira

A resolução reconhece expressamente que “a impossibilidade de realização do exame físico completo” é uma limitação inerente à teleconsulta, e o médico deve informar o paciente sobre isso.


Serviços oculares que podem ser realizados remotamente

A teleoftalmologia cobre um conjunto relevante de serviços, desde que o profissional julgue o meio adequado para o caso clínico.

Pode ser feito remotamente:

  • Triagem de sintomas: queixas de ardência, vermelhidão, fotofobia, embaçamento súbito. A anamnese remota orienta se o caso é urgente ou eletivo
  • Orientação sobre erros refrativos: miopia e astigmatismo, hipermetropia. Análise do histórico, explicação de prescrição, encaminhamento para exame presencial quando necessário
  • Acompanhamento de condições crônicas: pacientes com glaucoma ou retinopatia diabética já diagnosticados e em tratamento estável podem ter consultas de acompanhamento por teleconsulta
  • Telediagnóstico de retinografia: imagens capturadas por câmera de fundo de olho portátil (sem dilatação, fotografia não midriática) são enviadas ao especialista para laudo remoto. Esta é a base do programa TeleOftalmo da UFRGS
  • Diagnóstico de conjuntivite e condições superficiais: sintomas típicos e fotografias de boa qualidade permitem orientação diagnóstica
  • Análise de exames anteriores: laudos de campo visual, OCT, retinografia já realizados podem ser discutidos por videochamada
  • Orientação sobre lentes de contato: indicação, troca de parâmetros, controle de adaptação em pacientes acompanhados

O programa TeleOftalmo da UFRGS, que opera com 7 centros de teleconsultoria no Rio Grande do Sul, acumulou mais de 59.900 laudos e registrou resolução de 71% dos casos dentro da própria rede de atenção primária, sem necessidade de encaminhamento ao especialista presencial.


Procedimentos que exigem avaliação presencial

Existem procedimentos que dependem de contato físico, equipamentos especializados ou condições que não são avaliáveis a distância. Nestes casos, a teleconsulta serve apenas como triagem inicial antes do encaminhamento.

Exige presença física:

  • Exame de fundo de olho com dilatação (fundoscopia completa): requer colírio midriático, oftalmoscópio e avaliação direta da retina periférica. Não é substituível por fotografia
  • Tonometria de contato (Goldmann): medição de pressão intraocular por aplanação, considerada padrão-ouro para glaucoma
  • Biometria ocular: necessária para cálculo do cristalino artificial em cirurgia de catarata
  • Retinoscopia dinâmica: avaliação de refração objetiva em crianças pequenas e pacientes não colaborativos
  • Avaliação de motilidade e desvio ocular (estrabismo): exige teste de cobertura e avaliação de reflexo corneal presencial
  • Qualquer cirurgia: LASIK, facoemulsificação, vitrectomia, transplante de córnea
  • Prescrição de medicamentos controlados quando não há histórico clínico estabelecido (a CFM exige que o médico avalie a adequação do meio remoto para cada caso)
Saúde da visão online

Comparativo: serviços oculares presenciais vs. online

ServiçoOnline (teleoftalmologia)Presencial obrigatório
Triagem de sintomas ocularesSimNão
Orientação sobre erros refrativosSimNão
Laudo de retinografia não midriáticaSim (telediagnóstico)Não
Acompanhamento de glaucoma estávelSimVisita semestral para tonometria
Acompanhamento de retinopatia diabéticaSim (com imagens)Para casos proliferativos ou edema
Diagnóstico de conjuntiviteSimSe não responder ao tratamento
Exame de fundo de olho completo (midriático)NãoSim
Tonometria de contato (Goldmann)NãoSim
Biometria para cirurgiaNãoSim
Retinoscopia em criançasNãoSim
Avaliação de estrabismoNãoSim
Cirurgias ocularesNãoSim
Emissão de receita de óculosSim, via teleconsulta + prescrição eletrônicaNão

Para entender como é medida a acuidade visual, incluindo os parâmetros da OMS para baixa visão, consulte nosso guia específico. Para profissionais de ótica que precisam comparar métodos de medição, veja também nosso artigo sobre métodos de medição de distância pupilar.


Receita digital de óculos no Brasil: como funciona

A prescrição eletrônica é legal no Brasil. O CFM, em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), mantém uma plataforma nacional de prescrição eletrônica que vale em todo o território nacional.

Como funciona:

  1. O médico emite a receita digitalmente pela plataforma, assinada com certificado digital ICP-Brasil
  2. O paciente recebe o documento por e-mail ou WhatsApp com um código de validação de 10 caracteres
  3. A ótica ou farmácia valida a receita pelo QR code ou código antes de fabricar as lentes

Receita digital vs. receita impressa

CaracterísticaReceita digital (CFM)Receita impressa
AssinaturaCertificado digital ICP-BrasilAssinatura manuscrita + carimbo CRM
Validação pela óticaQR code ou código de 10 caracteresConferência visual
Envio ao pacienteE-mail ou WhatsAppEntrega em mãos
Risco de falsificaçãoBaixo (assinatura criptográfica)Maior
Validade na plataforma CFM30 dias para receita simples de medicamentosVariável conforme orientação do CBO

Nota sobre validade: A plataforma de prescrição eletrônica do CFM define validade de 30 dias para “receita simples”, porém essa categoria refere-se a prescrições de medicamentos. A receita de óculos de grau não possui prazo de validade definido em lei federal. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda validade de 1 ano para prescrições oftalmológicas, e na prática, a maioria dos fabricantes de lentes exige receita com menos de 3 meses para garantias de adaptação.

Importante: A receita de óculos de grau no Brasil só pode ser emitida por médico oftalmologista segundo o CFM. A discussão sobre o escopo de prática do optometrista para prescrição ainda não tem resolução definitiva em âmbito federal. Na prática, a maioria das óticas aceita receitas de ambos, mas o CFM sustenta que a prescrição é ato médico.

Para saber como interpretar as abreviações e valores de uma receita oftalmológica, confira nosso guia sobre como ler a receita de óculos.


Teleoftalmologia para regiões remotas: o modelo TeleOftalmo

O acesso a cuidados oftalmológicos é desigual no Brasil. A OMS estima que 2 em cada 3 pessoas em países de baixa renda que precisam de óculos não têm acesso a eles, e a prevalência de deficiência visual em regiões de baixa e média renda é 4 vezes maior do que em regiões de alta renda.

O programa TeleOftalmo, coordenado pela UFRGS e integrado ao TelessaúdeRS, é o modelo mais documentado de teleoftalmologia pública no Brasil:

  • Opera com 7 centros de teleconsultoria distribuídos no Rio Grande do Sul (Santa Rosa, Santiago, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo, Farroupilha, Pelotas e Porto Alegre)
  • Acumulou mais de 59.900 laudos desde o início do programa
  • Alcançou resolução de 71% dos casos sem necessidade de encaminhamento presencial ao especialista
  • Rastreia condições como erros refrativos, catarata, retinopatia diabética, glaucoma e degeneração macular

O modelo funciona assim: uma câmera de retina portátil captura imagens no posto de saúde da região remota; as imagens são enviadas digitalmente ao centro de teleconsultoria; um oftalmologista emite o laudo em até 72 horas; o médico generalista ou o agente de saúde local recebe orientação sobre conduta.

Na região amazônica, a FUnATI (Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade) lançou iniciativa semelhante voltada à saúde ocular de idosos, realizando retinografias gratuitas e conectando municípios do Amazonas a especialistas em Manaus via telessaúde. No primeiro ano de operação, o projeto realizou 674 exames de retinografia.

Essa expansão de acesso é relevante não apenas para o SUS, mas para óticas que operam em cidades do interior: entender o ecossistema de saúde ocular do seu mercado local ajuda a oferecer serviços complementares, como medição remota de distância pupilar para clientes que já vieram do posto de saúde com uma prescrição em mãos.


Captura remota de DNP: como óticas podem implementar

Dentro do contexto de atendimento remoto, a captura digital da distância naso-pupilar (DNP) é o serviço mais diretamente útil para óticas e e-commerce de óculos de grau. Diferente de um exame clínico, a medição de DNP não é um ato médico. É uma medida técnica da óptica, executada pelo profissional da ótica.

Etapa 1: Cliente envia foto frontal

O cliente fotografa o próprio rosto de frente, com um objeto de referência padronizado (cartão bancário ou régua) posicionado na altura dos olhos. Instruções claras sobre iluminação e posição são enviadas antes da captura.

Etapa 2: Software processa a imagem

O sistema extrai automaticamente as medidas de DNP binocular e monocular, além da altura de montagem quando aplicável.

Etapa 3: Profissional da ótica valida a medição

Se houver discrepância acima do tolerado (ex: diferença > 0,5 mm em relação ao padrão), o profissional solicita nova captura. A validação humana é obrigatória em cada medição.

Etapa 4: Valores integram o pedido de montagem

As medidas validadas são transferidas automaticamente para o pedido de fabricação das lentes de grau, eliminando digitação manual e reduzindo erros de transcrição.

Etapa 5: Avaliação presencial quando necessário

Para casos complexos, a presença na loja é recomendada: lentes progressivas com adição alta (ADD ≥ 3,00), prescrições com prisma, assimetrias faciais significativas ou clientes sem histórico anterior de óculos de grau.

Métricas para acompanhar:

  • Taxa de capturas válidas na primeira tentativa
  • Redução de refações de lentes (retrabalho)
  • Tempo médio entre pedido e entrega
  • Taxa de devolução por erro de medida

O Optogrid oferece interface de upload com medição automática de DNP e altura de montagem, integrada ao pedido de montagem. Para entender o fluxo completo da ferramenta, veja nosso tutorial sobre como usar o Optogrid para medidas precisas de DNP e altura.


Segurança de dados e conformidade com a LGPD

Óticas que capturam fotos de rosto para medição de DNP processam dados biométricos, categoria sensível pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Isso exige atenção específica.

Boas práticas obrigatórias:

  • Consentimento informado explícito para captura, uso, armazenamento e envio da imagem
  • Criptografia em trânsito (TLS 1.2 ou superior)
  • Política de retenção de dados definida e documentada
  • Logs de auditoria dos acessos às imagens
  • Plano de resposta a incidentes (vazamentos)

A Resolução CFM 2.314/2022 exige que dados de telemedicina sejam armazenados em prontuário eletrônico com padrão de segurança NGS2 (Nível de Garantia de Segurança 2). Esse padrão, definido em convênio entre o CFM e a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), exige certificado digital ICP-Brasil A3 ou A4 para assinatura e autenticação. É o único nível que permite o funcionamento 100% digital do prontuário, sem necessidade de impressão em papel. Para óticas (que não produzem prontuários médicos, mas armazenam imagens faciais), o padrão equivalente é seguir a LGPD e as orientações da ANPD.


Perguntas frequentes sobre teleoftalmologia no Brasil

Posso consultar um oftalmologista por videochamada no Brasil?

Sim. A teleconsulta oftalmológica é permitida pela Resolução CFM 2.314/2022 e pela Lei 14.510/2022. O médico avalia cada caso e decide se o atendimento remoto é adequado, e tem autonomia para indicar consulta presencial quando necessário.

A receita de óculos pode ser emitida digitalmente?

Sim. O CFM mantém uma plataforma nacional de prescrição eletrônica, assinada com certificado digital ICP-Brasil. A ótica valida a receita pelo QR code ou código de 10 caracteres antes de fabricar as lentes. A validade da prescrição de óculos não é definida em lei federal; o CBO recomenda 1 ano.

Exame de fundo de olho pode ser feito por telemedicina?

Depende do tipo. A retinografia não midriática (fotografia da retina sem dilatação) pode ser enviada ao especialista para laudo remoto, modalidade de telediagnóstico reconhecida pelo CFM. O exame de fundo de olho completo com dilatação (fundoscopia) exige presença física.

A teleoftalmologia é gratuita no SUS?

Em algumas regiões, sim. O programa TeleOftalmo da UFRGS opera integrado ao SUS no Rio Grande do Sul, com mais de 59.900 laudos emitidos. A FUnATI oferece retinografias gratuitas para idosos no Amazonas. A cobertura varia por estado e município; consulte a UBS local sobre disponibilidade.

O optometrista pode emitir receita de óculos digitalmente?

A disputa sobre a prescrição por optometristas ainda está em andamento no Brasil. O CFM afirma que a prescrição de óculos de grau é ato médico exclusivo. Na prática, muitas óticas aceitam receitas de ambos os profissionais. Para clareza jurídica, consulte o CRO ou CRM do seu estado.

Medição de DNP pode ser feita remotamente?

Sim. A medição de distância naso-pupilar via fotografia não é ato médico e pode ser realizada remotamente pelo profissional da ótica. Plataformas como o Optogrid automatizam essa captura e integram o resultado diretamente ao pedido de montagem. O profissional da ótica deve validar cada resultado e definir internamente o limiar de aceitação (ex: diferença > 0,5 mm indica necessidade de nova captura).

Quais condições podem ser detectadas por triagem remota?

Erros refrativos (miopia, hipermetropia, astigmatismo), catarata inicial, retinopatia diabética (com retinografia), sinais de glaucoma (com imagem e histórico de pressão). Condições agudas como descolamento de retina, uveíte e trauma ocular exigem atendimento presencial urgente.


Checklist de implementação para óticas e e-commerce

Infraestrutura técnica

  • Smartphone ou tablet com câmera frontal de pelo menos 8 MP (a maioria dos aparelhos fabricados a partir de 2020 atende esse requisito)
  • Conexão de internet estável para upload de imagens (mínimo 5 Mbps recomendado)
  • Software de captura e medição de DNP com processamento automático (ex: Optogrid)
  • Objeto de referência padronizado para escala (cartão bancário ou régua fornecida ao cliente)

Processos e documentação

  • Instruções padronizadas de captura de foto para o cliente (iluminação, posição, referência)
  • Fluxo de upload e validação de imagem com QA automático e revisão manual para casos fora do padrão
  • Integração da medição remota ao pedido de montagem
  • Critérios documentados para quando o atendimento deve ser presencial (progressivos complexos, prismas, crianças)

Métricas e conformidade

  • KPIs definidos: taxa de primeira tentativa válida, refações, devolução por erro de medida, NPS
  • Política de privacidade atualizada para cobrir captura de imagem facial e dados biométricos
  • Consentimento informado disponível antes da captura
  • Criptografia TLS 1.2+ em todas as transmissões de imagem
  • Plano de revisão semestral do fluxo (regulamentação e tecnologia mudam)

Erros regulatórios mais comuns ao implementar serviços remotos em óticas:

  • Tratar DNP remoto como ato médico: a medição de DNP via fotografia é competência técnica da ótica. Não exige prescrição médica, mas exige documentação da metodologia e validação profissional de cada resultado
  • Omitir consentimento informado para imagens faciais: a captura de foto frontal gera dado biométrico sensível pela LGPD. O consentimento precisa ser explícito e registrado antes da captura, não nas letras miúdas do cadastro
  • Não documentar critérios de encaminhamento presencial: a decisão de encaminhar presencialmente (ex: progressivas com ADD ≥ 3,00, prisma, crianças) deve constar em protocolo interno. Em caso de reclamação ou processo, a ausência de protocolo agrava a responsabilidade
  • Ignorar a autonomia do médico na teleconsulta: a Resolução CFM 2.314/2022 garante ao profissional autonomia para recusar o atendimento remoto. Óticas não podem prometer ao cliente que o médico parceiro atenderá por vídeo em todos os casos

Se você busca uma solução para padronizar a captura remota de DNP e altura de montagem, com integração direta ao checkout da sua loja ou ao back-office da ótica, conheça o Optogrid.