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síndrome do olho seco

Síndrome do Olho Seco: Principais Causas, Tratamentos e Como as Óticas Podem Identificar os Sinais

Resposta rápida: Olho seco é uma condição em que os olhos não produzem lágrimas suficientes ou as evaporam rápido demais, deixando a superfície ocular sem proteção adequada. As principais causas incluem envelhecimento, uso prolongado de telas, medicamentos e fatores hormonais. O diagnóstico e o tratamento exigem avaliação médica especializada.

A Síndrome do Olho Seco é considerada uma condição comum no Brasil. Estudos e levantamentos apontam que o problema ocorre em diferentes grupos da população.

Um estudo realizado pela Tear Film Ocular Surface Society (TFOS) mostrou que cerca de 13% da população brasileira apresenta a síndrome. No entanto, a enfermidade afeta predominantemente mulheres depois dos 50 anos. Uma pesquisa publicada por Leonardo Guedes C. Marculino, especialista em Doenças Externas Oculares e Córnea, mostrou que a ocorrência é de cerca de 26,8% nas mulheres, contra 18,1% nos homens.

Profissionais de ótica precisam ficar atentos aos sintomas dos clientes para que possam orientá-los corretamente, pois essas queixas podem se assemelhar a outras doenças. Entre os sintomas mais comuns estão o ressecamento, vermelhidão, ardência, sensação de areia nos olhos e visão embaçada.

Observe e oriente seu cliente a buscar ajuda médica. Essa atenção pode ampliar a confiança do cliente em seu conhecimento e atendimento. Continue lendo este artigo e descubra as principais causas e tratamentos da síndrome do olho seco.

Entenda o que é o olho seco e por que acontece

A Síndrome do Olho Seco ocorre quando não há lubrificação suficiente nos olhos, provocada pela baixa produção de lágrimas ou pela evaporação rápida da lágrima. As lágrimas são essenciais para a proteção, hidratação e nutrição da superfície ocular. Sem essa proteção, os olhos ficam mais vulneráveis a irritações e inflamações.

Alguns hábitos do dia a dia podem favorecer o desenvolvimento do olho seco ou agravar os sintomas já existentes. Entre esses hábitos, podemos destacar o excesso de exposição às telas, permanecer muitas horas em ambientes com ar-condicionado, o uso inadequado ou prolongado de lentes de contato, dormir pouco e permanecer exposto à fumaça de cigarro, poluição e poeira com frequência.

Descubra as principais causas e fatores de risco

Sintomas de síndrome do olho seco tem cura

Como profissional do setor óptico, orientar seus clientes sobre as causas e os fatores de risco relacionados à síndrome do olho seco pode ampliar o seu vínculo com o cliente, aumentando o índice de satisfação e a fidelização da clientela. Confira a seguir:

Evaporação Excessiva (Mais Comum)

A evaporação excessiva ocorre quando a lágrima desaparece rapidamente da superfície ocular antes de conseguir proteger e hidratar os olhos adequadamente. Especialistas explicam que esse problema acontece quando há um desequilíbrio da camada lipídica da lágrima, responsável por evitar a evaporação natural.

Como informado anteriormente, alguns hábitos diários podem provocar o problema, como o uso prolongado de celulares, computadores e tablets, a exposição frequente ao vento, poeira e poluição, alterações nas glândulas responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima e o envelhecimento natural.

Um estudo publicado na ScienceDirect mostrou que pacientes com alterações nas glândulas de Meibômio apresentaram taxa de evaporação ocular mais de três vezes maior do que pessoas sem a condição.

Produção Reduzida de Lágrimas

Enquanto alguns pacientes desenvolvem a síndrome do olho seco devido à evaporação excessiva, outros possuem uma baixa produção de lágrimas. O envelhecimento é uma causa natural do problema. Por esse motivo, a Síndrome do Olho Seco é mais comum em pessoas acima dos 50 anos.

Além do envelhecimento, outros fatores podem causar uma redução na produção de lágrimas, como doenças autoimunes, incluindo a Síndrome de Sjögren, e o uso de medicamentos antidepressivos, antialérgicos e anti-hipertensivos.

Inflamações oculares, cirurgias oftalmológicas, diabetes e outras doenças sistêmicas também podem reduzir a quantidade de lágrimas produzidas.

Medicamentos

A síndrome do olho seco também pode ser provocada como efeito colateral de alguns medicamentos. Entre os medicamentos que podem contribuir para o problema, podemos destacar antidepressivos, antialérgicos, diuréticos, isotretinoína (usada no tratamento da acne) e alguns benzodiazepínicos.

Existem vários outros medicamentos que podem provocar ou agravar o problema. A dica é sempre ficar atento à bula e aos efeitos indicados nos medicamentos. Em casos mais graves, oriente seu cliente a buscar ajuda médica para uma possível troca de medicação.

Problemas nas Pálpebras

As pálpebras desempenham um papel essencial na distribuição uniforme das lágrimas sobre a superfície ocular. Exatamente por isso, alterações nas pálpebras podem provocar o olho seco.

Entre os principais problemas palpebrais associados à síndrome está o lagoftalmo, que é a incapacidade de fechar completamente os olhos.

Já o ectrópio ocorre quando a pálpebra se volta para fora, dificultando a proteção do olho, enquanto o entrópio acontece quando a pálpebra se volta para dentro, causando irritação constante na superfície ocular.

Outro problema comum é a blefarite, que é a inflamação das bordas das pálpebras e pode comprometer as glândulas responsáveis pela qualidade da lágrima. Clientes que relatam ardência nas pálpebras junto com ressecamento merecem atenção redobrada. Oriente-os a procurar um oftalmologista.

Clientes que já apresentam fotofobia associada ao ressecamento ocular costumam ter um quadro mais complexo e devem ser encaminhados para avaliação médica com prioridade.

Olho seco e o uso de telas (computador e celular)

O uso prolongado de computadores, celulares e tablets é hoje uma das causas mais frequentes de olho seco entre pessoas em idade produtiva. A relação entre telas e ressecamento ocular tem uma explicação simples: quando olhamos fixamente para uma tela, piscamos muito menos do que o normal. Muitas pessoas recorrem a óculos de descanso para o desconforto associado às telas; entenda quando eles realmente ajudam.

Segundo a American Academy of Ophthalmology (AAO), seres humanos piscam cerca de 15 vezes por minuto em condições normais. Porém, estudos mostram que essa frequência cai para apenas 5 a 7 vezes por minuto durante o uso de computadores e outros dispositivos digitais. Piscar menos significa que a película lacrimal não se renova com regularidade, deixando a superfície ocular exposta e ressecada.

Além da redução na frequência de piscadas, outros fatores ambientais agravam o quadro em usuários de telas:

  • Ar-condicionado e ambientes secos: o ar seco circulando em escritórios e home offices acelera a evaporação da lágrima.
  • Posicionamento da tela: telas posicionadas acima do nível dos olhos obrigam o olho a abrir mais a fissura palpebral, aumentando a área exposta e a evaporação.
  • Iluminação inadequada: reflexos e contrastes excessivos aumentam o esforço visual e o tempo de fixação sem pestanejar.
  • Lentes de contato: o uso combinado de lentes de contato e longos períodos em frente ao computador potencializa o ressecamento.

Profissionais que trabalham com computador a maior parte do dia e clientes que relatam piora dos sintomas ao longo do expediente merecem uma anamnese detalhada sobre hábitos de uso de telas. Vale recomendar óculos com lentes antirreflexo para reduzir o esforço visual e perguntar sobre o ambiente de trabalho.

Clientes que queixam de vista cansada junto com ressecamento frequentemente têm os dois problemas potencializados pelo uso de telas. Nesse caso, indique avaliação médica para diferenciar astenopia de olho seco crônico. Cabe também investigar se o cliente usa óculos anti luz azul, pois o filtro por si só não reduz o ressecamento, mas pode ajudar a diminuir o desconforto associado à fadiga visual.

A regra 20-20-20 como hábito de prevenção

A regra 20-20-20 é uma recomendação prática, apoiada pela American Optometric Association e pela AAO, para quem passa longos períodos em frente às telas: a cada 20 minutos, desvie o olhar para um ponto a pelo menos 6 metros de distância e mantenha o foco por 20 segundos. Esse intervalo permite que os músculos ciliares relaxem e favorece um ciclo completo de piscadas.

É importante deixar claro ao cliente que a regra 20-20-20 ajuda a reduzir a fadiga visual e a estimular as piscadas, mas não substitui o tratamento médico quando o olho seco já está instalado. Caso os sintomas persistam mesmo com pausas regulares, o encaminhamento ao oftalmologista é obrigatório.

Oriente também sobre a anatomia dos olhos de forma didática: entender como funciona a película lacrimal ajuda o cliente a compreender por que pequenas mudanças de hábito fazem diferença no conforto visual.

Saiba como diferenciar olho seco temporário e crônico

Quando falamos da Síndrome do Olho Seco, estamos tratando de um problema que pode ser temporário ou crônico. Entender e identificar qual tipo de condição o cliente possui pode ajudar na busca do melhor tratamento.

O olho seco temporário é uma condição reversível, geralmente causada por fatores ambientais ou comportamentais. Normalmente possui curta duração, podendo durar apenas horas ou dias. O problema surge após exposição a fatores específicos, como cigarro ou poeira. Nesse caso, o quadro costuma melhorar com repouso ou com a eliminação da causa.

Já a Síndrome do Olho Seco crônico é uma condição persistente e recorrente, com alterações funcionais da superfície ocular. Nessa situação, o problema pode piorar progressivamente, causando inflamações e alterações na córnea em casos mais avançados.

Saiba como tratar o olho seco

Antes de mais nada, é sempre importante orientar seus clientes a não realizarem a automedicação. Eles devem sempre buscar o apoio de um médico especializado.

O tratamento indicado por esses especialistas vai depender da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em geral, ele combina medidas de alívio, controle da causa e prevenção da progressão.

Entre as medidas iniciais indicadas estão a utilização de lágrimas artificiais, gel ou pomadas oftálmicas em casos mais intensos ou noturnos, higiene ocular diária, pausas no uso de telas e evitar ambientes muito secos ou com ar-condicionado.

Afinal, olho seco pode causar cegueira?

Não. A Síndrome do Olho Seco não causa cegueira. Porém, formas graves e crônicas, se não tratadas, podem provocar danos irreversíveis e, em situações extremas, comprometer a visão.

Isso ocorre porque o olho seco reduz a proteção da superfície ocular, deixando a córnea mais exposta a irritações constantes, inflamação crônica e microlesões na superfície ocular. Com o tempo, esses problemas podem evoluir para quadros mais sérios, como inflamação da córnea, úlceras e cicatrizes.

Sempre que um cliente relatar sintomas persistentes, encaminhe-o a um oftalmologista. O papel do profissional de ótica é identificar os sinais de alerta e garantir que o cliente receba o cuidado médico adequado.

Perguntas frequentes sobre olho seco

O que é olho seco e quais são os principais sintomas?

Olho seco é uma condição em que a superfície ocular não recebe lubrificação suficiente, seja por baixa produção de lágrimas ou por evaporação excessiva. Os sintomas mais comuns são ressecamento, ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e visão embaçada, especialmente no fim do dia ou após longos períodos em frente às telas.

O que causa olho seco?

As causas mais frequentes incluem envelhecimento (especialmente em mulheres acima dos 50 anos), uso prolongado de telas, ambientes secos com ar-condicionado, uso de lentes de contato, doenças autoimunes como a Síndrome de Sjögren, medicamentos como antidepressivos e antialérgicos, e alterações nas pálpebras ou nas glândulas de Meibômio.

Olho seco no computador: o que fazer?

Quem passa muitas horas em frente ao computador deve aplicar a regra 20-20-20 (a cada 20 minutos, olhar para um ponto a 6 metros por 20 segundos), ajustar a posição da tela para abaixo do nível dos olhos, usar lentes com tratamento antirreflexo e, se necessário, usar lágrimas artificiais sem conservantes. Se os sintomas persistirem, procure um oftalmologista.

Olho seco tem cura?

O olho seco temporário geralmente melhora com a eliminação da causa (por exemplo, reduzir o tempo em frente a telas ou sair de ambientes com ar-condicionado). Já o olho seco crônico não tem cura definitiva, mas é controlável com tratamento adequado. O acompanhamento médico regular é fundamental para evitar complicações como inflamação da córnea.

Colírio resolve o olho seco?

Lágrimas artificiais aliviam os sintomas e são o primeiro recurso indicado, mas não tratam a causa do olho seco. Colírios com conservantes podem piorar a irritação em uso prolongado; por isso, é importante que o cliente consulte um oftalmologista antes de escolher o produto. O tratamento da causa subjacente é o que garante resultados duradouros.

Quando procurar um médico para olho seco?

Procure um oftalmologista se os sintomas de ressecamento durarem mais de alguns dias, piorarem progressivamente, vierem acompanhados de fotofobia ou dor ocular, ou se não melhorarem com o uso de lágrimas artificiais. Situações assim indicam a necessidade de avaliação especializada para descartar causas sistêmicas ou danos à córnea.

Bibliografia

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